CACAU VIRA ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL

Projeto incentiva produção como saída para manter em pé boa parte das florestas

SÃO FÉLIX DO XINGU, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2013 | 02h09

Apostar em cacau na cidade com o maior rebanho bovino do País parece pouco sensato. Para pequenos agricultores de São Félix do Xingu, porém, a alternativa tem se tornado rentável. Desde o fim do ano passado, um projeto-piloto para incentivar a produção do fruto, cuja amêndoa é matéria-prima para a fabricação do chocolate, virou a saída para manter em pé boa parte das florestas da região sem perder a lucratividade.

Com o apoio de cooperativas locais, o "Cacau mais Sustentável" tem a meta inicial de atingir cem propriedades da região. A ONG TNC organiza um programa de melhoramento genético de sementes e orientação técnica para quem quiser se aventurar na mudança. E as vantagens ambientais vêm da própria natureza do cacau: o fruto só se desenvolve à sombra de outras culturas, como a banana.

Recompor a vegetação, portanto, é fundamental para começar a plantar. Luiz Martins Neto, que começou a produção recentemente, passou a usar um sistema de produção rotativa, que substituiu as queimadas. "Com a ajuda de cooperativas, conseguimos vender a um preço mais alto", afirma.

O projeto tem ajudado iniciantes, mas também aumentou a eficiência de quem já produzia. "O apoio técnico ajudou a gente a entender melhor o ciclo da produção", diz Raimundo Freires Barbosa, um dos beneficiados pelo projeto, que aposta no cacau desde a década de 80. "Escolhi o cacau pois, desde aquela época, já percebia o desmatamento, um desastre muito grande, que, se continuasse, mudaria tudo na região."

Segundo os responsáveis pelo projeto, os lucros podem triplicar. Em uma propriedade que produz 1 tonelada por hectare, a renda, que em pecuária seria de R$ 5 mil anuais, pode chegar a R$ 16 mil. "O objetivo é chegar à produção de 1,5 milhão de sementes ao ano até 2015", diz Ian Thompson, da TNC.

Para garantir as vendas dos pequenos produtores e apoio logístico, a ONG firmou parceria com a Cargill, gigante mundial na produção de alimentos e maior compradora de cacau no País. A meta é ampliar a área de produção dos cerca de 20 km2 para até 500 km2.

Originário da própria Amazônia, o cacau durante décadas esteve associado à Bahia. Hoje, porém, a produção do Pará já representa cerca de 25% do total no País e cresce em média 5% ao ano. / B.D.

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