Caça-níqueis: delegado é condenado a 10 anos de prisão

Elpídio Ferrarezi, titular da Delegacia da Infância em Santos, é acusado de receber propina para permitir bingos na cidade

O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2012 | 03h10

A Justiça condenou o delegado Elpídio Laércio Ferrarezi a 10 anos e 8 meses de prisão por falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e corrupção e determinou a perda do cargo. Atual titular da Delegacia da Infância e Juventude de Santos, Ferrarezi foi acusado de integrar na década passada a máfia dos caça-níqueis, que, segundo o Ministério Público, arrecadava dinheiro para permitir o funcionamento de bingos na Baixada Santista.

O juiz responsável pela sentença, Rodrigo de Moura Jacob, apontou estranheza na evolução patrimonial de Ferrarezi, que já foi delegado seccional de Santos. O policial recebe salário de cerca de R$ 6 mil, tem uma casa de R$ 1,2 milhão na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, em nome da filha, e vive em uma cobertura de 360 metros quadrados em Santos. A casa foi perdida em favor da União.

"A trajetória de vida do Elpídio é muito estranha. Antes de adentrar na polícia, segundo relatos de testemunhas, era comerciante e seu patrimônio era insignificante, possuía um Chevette e levava uma vida bem modesta. Entretanto, bastou ingressar na polícia no cargo de delegado para que sua vida desse uma reviravolta e tanto, seu patrimônio cresceu de forma assustadora", escreveu o juiz.

Além de Ferrarezi, foi condenada por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica sua filha, a advogada Carla Abibe Ferrarezi Martinez. O juiz afirmou na sentença que Carla não tem como comprovar condição financeira para comprar um imóvel milionário.

Outras três pessoas, incluindo um office-boy usado como laranja, para quem foi transferida a posse da casa durante as investigações, foram condenadas por falsidade ideológica. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o delegado é alvo de processo na Corregedoria da Polícia Civil.

Defesa. Advogado de Ferrarezi e de Carla, Elias Jacob afirmou que vai recorrer. "A sentença se afastou das provas dos autos. Vou pedir a absolvição e tenho tranquilidade de que conseguirei", disse.

O advogado afirmou que, na decisão judicial, houve uma supervalorização da casa na Riviera. "Certamente não foi o que gastou para construir a casa em 2002. A perícia contábil declara textualmente que a doutora Carla tinha condições de fazer isso na época da construção."

Segundo Jacob, Ferrarezi é "altamente conceituado na Polícia Civil". "Tanto que uma das testemunhas de defesa é o diretor da Polícia Civil na região", disse. / W.C.

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