Cabral vê manobra política no movimento

Governador chama bombeiros rebelados de vândalos e insinua que o rival Anthony Garotinho tenha incitado o protesto

Alfredo Junqueira e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2011 | 00h00

Com um discurso duro, referindo-se aos bombeiros amotinados como "vândalos irresponsáveis" e "lumpesinato", o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), creditou a motivações políticas, e não trabalhistas, o movimento que culminou na invasão do quartel central.

Exaltado, Cabral disse que "esses 440" não têm representatividade ante os cerca de 17 mil militares e ressaltou os investimentos de sua gestão em equipamentos, condições de trabalho e nos salários dos bombeiros. Disse ser incompreensível o levante porque o piso pretendido pela categoria, R$ 2 mil, já estaria prometido para dezembro. "Nosso salário não é o pior do Brasil. E, mesmo se fosse, não justificaria a entrada no quartel de maneira abominável. Levaram mulheres e filhos, de maneira covarde."

Cabral salientou eventual conotação político-partidária, afirmando que os manifestantes se deixaram seduzir por pessoas que passaram oito anos no governo e "não fizeram um quinto do que nós fizemos". Ele se referia a seu principal desafeto, o ex-governador e atual deputado federal Anthony Garotinho (PR), que se manifestou favorável aos protestos. "Jamais se podia imaginar que eles se deixariam seduzir pelo discurso fácil, messiânico, fundamentalista, de quem mistura Bíblia com política."

Para reforçar sua argumentação, disse que um dos líderes do movimento foi lotado no gabinete de uma deputada estadual da bancada evangélica. Cabral não citou nomes, mas referia-se ao cabo Benevenuto Daciolo, porta-voz do movimento, que tinha cargo no gabinete da então deputada Beatriz Santos. Durante a invasão do Quartel-Geral, os manifestantes tiveram a companhia de dois deputados de correntes políticas opostas: Janira Rocha (PSOL) e Flavio Bolsonaro (PP), filho do polêmico deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Os bombeiros alegam que o comando da corporação e a cúpula do governo não abriram canal de negociação. A única iniciativa do Estado foi colocar o líder do governo na Assembleia Legislativa, André Corrêa (PPS), para receber os manifestantes. Eventual aumento para os bombeiros teria outro obstáculo político para o governo: a Secretaria de Segurança deixou claro que não aceitaria reajuste apenas para os bombeiros e os benefícios teriam de ser estendidos aos policiais civis e militares.

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