Cabo Bruno é morto 34 dias após sair da prisão e polícia aponta vingança

O ex-justiceiro que passou 27 anos preso pela morte de mais de 50 pessoas nos anos 1980 foi alvejado por 18 tiros na porta de casa

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h03

Trinta e quatro dias depois de conseguir a liberdade, após 27 anos preso, Florisvaldo de Oliveira, de 53 anos, o Cabo Bruno, foi assassinado anteontem na frente de casa, em Pindamonhangaba, Vale do Paraíba. Recém-consagrado pastor, o justiceiro que matou mais de 50 pessoas na zona sul da capital paulista nos anos 1980 voltava de uma igreja evangélica na cidade vizinha de Aparecida. A polícia ainda não sabe quem cometeu o crime, mas já tem clara a principal hipótese da motivação: vingança.

No dia da morte, Bruno não fugiu à rotina e voltava de um culto sem medo de morrer, às 23h47. Segundo testemunhas, virou alvo fácil para dois homens que se aproximaram rapidamente do Astra onde ele estava com a mulher, a enteada, a filha dela e o genro. Os criminosos dispararam pelo menos 18 vezes, com pistolas calibre .45 e 380. Todos os tiros foram direcionados para rosto, peito e pescoço do ex-justiceiro, que estava no banco de trás e descia do carro quando foi alvejado. Ninguém mais se feriu.

Na sequência, os matadores fugiram sem levar nada. Os parentes de Bruno chamaram a polícia, mas ele já estava morto. Durante o velório, o genro de Bruno, de 26 anos, contou que não sabe o que aconteceu. "Estava muito escuro. Meu carro tem filme e chovia bastante. Na hora em que tudo aconteceu, nós nos abaixamos", afirmou. "Não vi nada e prefiro nem me pronunciar. Estamos todos muito abalados."

O corpo de Bruno foi velado até as 18h de ontem na Santa Casa de Pindamonhangaba, de onde foi transferido para Catanduva, onde deve ser enterrado no Cemitério Nossa Senhora de Fátima, no início da tarde de hoje.

Investigação. O delegado titular do 1.º Distrito Policial de Pindamonhangaba, Vicente Lourenço Lagioto Júnior, ainda não tem pistas que possam levar aos autores do crime. Oficialmente, ouviu apenas o genro de Bruno.

Ele só descartou a possibilidade de que tenha ocorrido um assassinato para evitar que o ex-justiceiro contasse o que sabia de antigas mortes. "Os crimes dele já foram apurados, não havia razão para uma queima de arquivo." No entanto, o crime pode ter ligação com seu passado. "Para contar a mudança pela qual passou durante os depoimentos na igreja, tinha de contar também o que havia feito no passado, relembrando tudo."

Lagioto vai pedir a quebra do sigilo telefônico de pessoas que possam ter ligação com o crime. Segundo ele, também serão pedidas as filmagens de uma equipe de reportagem que seguiu Oliveira nos últimos dias para exibir as imagens em um programa de televisão. Os policiais procuraram câmeras que pudessem ter flagrado o momento em que os matadores se aproximaram, mas nada foi encontrado.

Durante a tarde, houve informações de que presidiários do Vale do Paraíba comemoravam nas cadeias a morte do mais famoso justiceiro de São Paulo.

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