C. FICOU 25 MESES PRESA

Foi apoiado no "frio texto da lei" que o Tribunal de Justiça condenou a doméstica C.A.G., de 43 anos, por porte de drogas, em fevereiro de 2008. Tuberculosa, passou 1 ano e 4 meses na cadeia, até que saiu a sentença - foi condenada a outros 5 anos e 6 meses. Aí, o TJ negou a conversão de pena, entendendo que isso era vedado pela Lei de Drogas.

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2010 | 00h00

A vida de C. só mudou novamente em maio deste ano, após 2 anos e 3 meses presa, quando o caso foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro Celso Limongi entendeu o contrário: o próprio texto da lei não é suficiente para justificar a manutenção da prisão. A essa altura, a doméstica C. - que não tinha passagem na polícia por tráfico - já havia vivido "os piores dias" de sua vida.

"Vivi o pão que o diabo amassou e sem merecer, só esperando a Justiça fazer alguma coisa", disse a doméstica, que foi presa em casa, no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, por ocultar 868 gramas de maconha e 5,1 gramas de haxixe embaixo do sofá. "Escondi, porque é o que qualquer mãe faria. Meu filho não teria estrutura para aguentar a cadeia. Foi para proteger", disse. "Mas não adiantou." Enquanto C. estava presa, seu filho foi morto, por envolvimento com o tráfico.

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