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Jairo Bouer
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Bye bye, 'Face'?

Uma pesquisa divulgada na última semana por uma empresa de consultoria em estratégias de tecnologia nos Estados Unidos revelou que o Facebook está criando "rugas". A maior parte dos usuários americanos tem hoje entre 35 e 54 anos de idade. Há três anos, a faixa que concentrava mais internautas era mais jovem, entre 18 e 24 anos. Um efeito colateral dessa tendência é a perda de mais de 3 milhões de usuários adolescentes, entre 13 e 17 anos, no intervalo de 2011 a 2014.

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2014 | 02h04

Bom lembrar que um outro trabalho, realizado pela University College of London (UCL) e divulgado no final de 2013 pelo jornal inglês The Guardian, já apontava que na Europa os jovens de 16 a 18 anos estavam migrando para os aplicativos de troca de mensagens instantâneas, como o Whatsapp, em vez de ficarem presos em plataformas em que se sentiam mais expostos aos olhos da família, como o Facebook.

A publicidade inglesa captou o fenômeno. Em uma campanha atual, que pode ser vista nos cinemas de Londres, uma empresa de telefonia celular, que vende um plano familiar, brinca com o potencial "erro" do filho em aceitar sua mãe como amiga em sua rede social, claramente fazendo uma alusão ao Facebook.

O fenômeno de migração jovem não é exatamente novo, mas a velocidade com que está ocorrendo talvez seja. Toda vez que um "espaço" reconhecido como do jovem passa a ser ocupado por outras gerações, ele deixa de ser visto como "descolado", o que acaba forçando uma debandada dos adolescentes, que querem novidades que os identifiquem com os pares.

No caso dessas plataformas digitais, provavelmente, não é só a novidade que conta. A privacidade do jovem parece ser outro ponto importante. Ao ser invadido pelo chefe, pela mãe e pela família, o Facebook passa a ter um menor apelo como espaço em que segredos, peculiaridades e opiniões pessoais podem ser compartilhados com os amigos. Tudo fica mais "vigiado" e o jovem sabe que pode ficar exposto de uma forma que não deseja.

O estudo da UCL traz outras informações interessantes: os textos e fotos postados no Facebook pelos jovens hoje parecem passar por um processo de filtragem psicológica, ao contrário das mensagens trocadas no Skype ou no Whatsapp, que são mais imediatas. Será que o jovem não sente que perdeu a espontaneidade no Facebook? Assim, lá ele publica só aquilo que pode ser dito, enquanto nas outras plataformas pode ser mais autêntico?

Outro ponto que pode explicar a migração é a praticidade das novas plataformas. Por mais que ipads e pequenos computadores sejam hoje leves e fáceis de carregar, um celular com múltiplas funções, conectado a internet, é ainda muito mais simples e ágil, apesar das limitações das suas interfaces. Assim, além de estar no bolso e acessível o tempo todo, ele garante mais privacidade ao seu usuário.

Em um primeiro momento, o Facebook parecia ser o ponto de convergência definitivo para todo mundo. Pelo visto, como tudo o que acontece no mundo digital, parte significativa do seu público original evaporou. Nem as recentes aquisições de outras empresas de tecnologia ainda mais modernas parecem ter freado esse processo, pelo menos na Europa e nos EUA. No Brasil, parece que essa tendência ainda não é tão clara, embora boa parte dos jovens já expresse um certo incômodo com a presença dos pais em suas redes sociais.

Teclar e guiar. No momento em que os celulares inteligentes são o sonho de consumo dos adolescentes no mundo e em que cada vez mais jovens usam os sistemas de troca de mensagens instantâneas, uma pesquisa divulgada há duas semanas pelo jornal New York Times mostra que o uso dos telefones por motoristas inexperientes aumenta em até oito vezes o risco de acidentes.

O trabalho, realizado pela Universidade Virginia Tech, mostra que entre os jovens recentemente habilitados trocar mensagens pelo celular ou digitar um número enquanto guiam foram os fatores de maior risco para um acidente. Não é difícil de entender o porquê. Pouca experiência aliada à falta de atenção (eles passaram cerca de 10% do tempo com o olhar desviado para outro foco, que não a frente do carro) em um jovem com reações mais impulsivas pode ser uma combinação fatal!

* É PSIQUIATRA

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