Butantã vai abrigar aulas da USP Leste

Justiça interditou o câmpus por causa de problemas ambientais; atividades serão retomadas provisoriamente no Instituto de Psicologia

Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2014 | 02h05

Alunos, professores e funcionários do câmpus Leste da Universidade de São Paulo (USP) serão transferidos provisoriamente para a Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste da capital. A decisão foi anunciada ontem, depois de a Justiça dar prazo de 30 dias para a instituição apresentar um plano alternativo para suas atividades. A área foi interditada por problemas ambientais.

A partir de segunda-feira, as aulas serão ministradas no Instituto de Psicologia. Alguns cursos têm ainda de concluir o segundo semestre de 2013 e farão reposição da greve realizada entre agosto e setembro. A unidade tem cerca de 5 mil alunos. Grupos de pesquisa seguem desabrigados. Com o fechamento dos laboratórios, professores e alunos temem prejuízos com a perda de amostras e reagentes e com o acesso vetado. Até ontem, a USP não havia recorrido da decisão da Justiça.

Antes da diretoria, professores e alunos da USP Leste foram os primeiros a entrar em contato com outras unidades para discutir planos de transferência. Ainda é negociada a oferta de transporte da zona leste até o câmpus Butantã e também dentro da Cidade Universitária.

As aulas do primeiro semestre de 2014, previstas para 17 fevereiro, ainda não têm local definido. Alguns professores sinalizam não aceitar outro espaço improvisado e já defendem greve. Só tiveram acesso ao câmpus Leste ontem os vigilantes e os funcionários da empresa que faz a desinfestação dos piolhos, descobertos no fim de 2013.

Laboratórios vazios. A pressa para resgatar materiais foi criticada por pesquisadores, que correram ao câmpus quando souberam da interdição, anteontem. "Retiramos algumas plantas, mas não dava para deslocar tudo o que está no freezer", lamentou Silvana Godoy, pesquisadora na área de Botânica. "A situação é caótica." A falta de espaço e seguro sobre danos, além da burocracia, impedem o transporte de aparelhos, como microscópios e computadores.

Por volta de 40 pesquisadores da unidade atuam em laboratórios de ciências naturais e, nos de computação, 60. Para Luis Schiesari, que preside a Comissão de Pesquisa da USP Leste, "a diversidade das atividades de pesquisa e a necessidade de instalações e equipamentos especiais dificultam a transferência". De acordo com ele, não há mais animais ou plantas nos laboratórios e as agências financiadoras de pesquisa já estão cientes do caso.

Cálculos dos professores indicam que na USP Leste há 250 auxílios à pesquisa concluídos e 40 em andamento, entre bolsas e financiamentos, com total de R$ 18,7 milhões repassados por agências do País e do exterior.

A assessoria da USP Leste informou que o acesso é vetado em cumprimento à ordem judicial e que a prioridade foi encontrar espaço para as aulas.

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