Butantã triplica demanda da Linha 4

Expectativa é que nº de passageiros do ramal passe de 19 mil para 54 mil por dia com nova estação; trens da manhã devem seguir lotados

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

29 Março 2011 | 00h00

A inauguração da Estação Butantã, na manhã de ontem, vai representar o primeiro grande boom de passageiros da Linha 4-Amarela. Não será surpresa se os usuários passarem a encontrar trens lotados no início da manhã - o horário de pico do ramal atualmente. Isso porque número de passageiros vai quase triplicar: na última sexta-feira, foram registrados 19 mil usuários nesse ramal e a concessionária ViaQuatro espera que suba agora para 54 mil por dia.

O ganho de 35 mil passageiros por dia é mais que o dobro da quantidade atual da Linha 4-Amarela, que até a semana passada circulava apenas entre as Estações Paulista e Faria Lima (trecho de 3,8 km). Esse ramal agora passou a ter 5,2 km de extensão - as viagens entre os extremos Paulista e Butantã são feitas em sete minutos.

"Ainda teremos todos os passageiros sentados na maior parte do tempo. Talvez no primeiro e segundo trens da manhã já haja carros lotados porque vai aumentar a quantidade de usuários. Algumas pessoas já esperam o início das operações para ir de Metrô, em vez de seguir de ônibus ou outro meio", diz o presidente da ViaQuatro, Luís Valença.

Uma das explicações para o aumento na demanda é o início simultâneo das operações no terminal de ônibus contíguo à estação de Metrô. Espera-se também um pico pela manhã de estudantes que rumam para a Estação Butantã para chegar ao campus da Universidade de São Paulo (USP). A São Paulo Transporte (SPTrans) criou uma linha específica entre a estação e a cidade universitária.

Outro grande aumento na demanda da Linha 4-Amarela vai ocorrer até junho. O governo do Estado pretende entregar a próxima estação desse ramal, a Pinheiros, em maio e fazer a interligação com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). "Nós devemos chegar a 250 mil pessoas por dia com a inauguração da Pinheiros e o funcionamento em horário pleno", completa Luís Valença. O horário de funcionamento é atualmente das 8 às 15 horas e será mantido até junho. Após a integração com a CPTM, será estendido para a operação integral, das 4h40 às 0h15.

Para o segundo semestre, estão previstas as duas estações que fecham a 1.ª fase da Linha 4-Amarela. O secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, disse que Luz e República serão entregues até o fim do ano. "Nosso compromisso é entregar as duas antes do Natal." São grandes as chances, porém, que a data seja adiantada, assim como aconteceu com a Butantã - inicialmente prevista para maio.

Taboão. Ainda ficam outras cinco estações para a 2.ª fase da linha, que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) prometeu para até o fim de 2014. Alckmin também disse pela primeira vez que pretende levar a Linha 4-Amarela até Taboão da Serra - informação antecipada pelo Estado em 6 de janeiro. Inicialmente, essa ligação será feita com uma linha de ônibus gerenciada pela própria concessionária ViaQuatro.

"Queremos que essa Linha 4 pela primeira vez saia de São Paulo. O Metrô se chama Companhia do Metropolitano, mas só atende a cidade de São Paulo", disse o governador.

A inauguração da Estação Butantã foi marcada por protestos de estudantes, trabalhadores da Universidade de São Paulo (USP) e do próprio Metrô. Um grupo de 20 pessoas vaiou Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab. Os discursos também foram atrapalhados por gritos de ordem, principalmente contra o valor da tarifa do transporte público municipal.

Integrantes da Assembleia Nacional dos Estudantes entoaram gritos contra o reajuste da tarifa de ônibus, que passou de R$ 2,70 para R$ 3 em janeiro. Alckmin foi alvo de gritos de ordem, principalmente do sindicato dos metroviários, contrário aos trens sem condutores que serão usados na Linha 4.

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