Butantã terá novo projeto de túnel

Após protestos de moradores, Prefeitura promete mudar traçado de obra da Operação Urbana Vila Sônia que cortaria áreas verdes

Bruno Ribeiro JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2010 | 00h00

Após pressão de moradores do Butantã, na zona oeste, a Prefeitura garante ter alterado o traçado de um túnel que tomaria parte da Praça Elis Regina e do Parque da Previdência, ligando as Avenidas Corifeu de Azevedo Marques e Eliseu de Almeida. O novo projeto faz parte da Operação Urbana Vila Sônia e será apresentado nos próximos dias, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano.

Operações urbanas são instrumentos que permitem a empresas a construção de imóveis acima dos limites da lei de zoneamento municipal. Em troca, elas pagam uma taxa à Prefeitura, que usa o dinheiro em melhorias de infraestrutura - neste caso, o túnel, que teria 800 metros e seria uma das contrapartidas para o adensamento da área. O projeto de lei da operação deve ser levado à Câmara Municipal até o fim do ano. Dezesseis entidades pressionavam a Prefeitura a mudar o projeto desde 2007, quando a proposta foi apresentada.

Com a operação urbana, mais 37 mil moradores devem ir para as regiões do Butantã e da Vila Sônia até 2027. "Esse projeto vai tirar nossas poucas áreas verdes e dar mais espaço a carros", diz o professor Theophile Lourenço, de 33 anos, morador do bairro.

Segundo o chefe da assessoria técnica da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Lisandro Frigerio, o traçado do túnel foi alterado e a Prefeitura estuda três novas propostas, mas a região precisa de uma ligação norte-sul. "Tem o Rodoanel e a Marginal do Pinheiros. A cidade precisa de outra ligação", defende. "Manter as duas áreas é uma premissa dos nossos projetos."

Frigerio argumenta que o túnel não era nem a maior nem a mais importante obra prevista nessa operação urbana. E cita outros projetos, como a ligação dos Parques da Previdência e Luiz Carlos Prestes, uma ciclovia na Avenida Eliseu de Almeida, dois parques lineares e a urbanização da favela do Jardim Jaqueline.

A perspectiva de transformar o Butantã - composto, na maior parte, por casas térreas - em um bairro de arranha-céus encontra resistência por parte dos moradores. "É uma política que vai beneficiar as empreiteiras", diz a arquiteta Patricia Yamamoto, contrária à operação urbana.

Já o Sindicato da Habitação (Secovi) apoia o adensamento da área. O motivo, segundo o presidente da entidade, João Crestana, é a infraestrutura local, melhor do que a de outras regiões. "Infraestrutura paga pela cidade inteira, não só pelos moradores do Butantã", afirma.

Um dos autores do Plano Diretor, o arquiteto Nabil Bonduki destaca outro fator. "As operações urbanas têm sido marcadas pela saída dos moradores tradicionais e a chegada de outros, com mais poder aquisitivo."

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