Buscou sossego e só achou trânsito

Afonso Celso só queria sossego perto da natureza. Por isso, deixou um apartamento na Aclimação e foi viver na região do Aeroporto de Congonhas. O ano era 1973. O bairro de Indianópolis, na zona sul da cidade, tinha poucas casas e muito mato, com pássaros e animais passeando pelas ruas. O Córrego da Traição ainda corria a céu aberto.

, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

"A gente ouvia o barulho da água e dos sapos quando ia dormir", lembra Celso, hoje com 70 anos e aposentado. "Mas uns anos depois vimos as primeiras máquinas subindo desde lá de baixo, abrindo um clarão na mata. Até tentei vender a casa, mas não consegui. E hoje não vale a pena negociar, porque os imóveis aqui valem muito pouco."

A via que estava sendo aberta era a Avenida dos Bandeirantes, que se tornou a principal ligação entre a Marginal do Pinheiros e a Rodovia dos Imigrantes, por onde passam caminhões e carros durante todo o dia. O barulho e a poluição estão presentes dia e noite. E a casa de Celso e sua mulher está bem na frente disso.

A inauguração do Trecho Sul do Rodoanel e as restrições adotadas pela Prefeitura tiraram 44% dos caminhões da Bandeirantes durante o dia. O casal avalia que a situação melhorou bastante no início, mas que agora há mais carros ocupando o espaço dos veículos de carga. "É gente que percebeu que estava melhor a Bandeirantes e começou a rodar por aqui. Só que já está ficando parado no fim da tarde", diz Celso. Em relação aos caminhões, o aposentado é ainda mais cético: "Eles não passam de dia, mas de noite estão aqui na minha porta".

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