Amanda Perobelli/ Estadão
Amanda Perobelli/ Estadão

Buscas e remoção de escombros se estenderão pelo fim de semana

Atividade de remoção completou 72 horas de execução; oficialmente, quatro pessoas são dadas como desaparecidas

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2018 | 04h58

As buscas pelas vítimas do Edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou em decorrência de um incêndio na madrugada da terça-feira, 1, se estenderão pelo sábado e domingo, e só devem ser encerradas ao longo da próxima semana. A atividade de remoção dos escombros pelo Corpo de Bombeiros chegou nesta sexta-feira, 4, a 72 horas de execução.

Ao longo desta madrugada, retroescavadeiras avançaram para a região central do terreno, cujo acúmulo de escombros chega a mais de 15 metros de altura. Desde a madrugada desta quinta, os bombeiros mudaram a estratégia com objetivo de agilizar a retirada do material para aumentar as chances de encontrar alguém com vida. Porém, a hipótese, ainda que não descartada, é considerada improvável. “Quanto mais tempo passa, pior a situação, mas não podemos descartar”, disse o capitão Paulo Maculevicius. Oficialmente, os bombeiros acreditam poder encontrar vítimas até uma semana depois do desabamento, crença reforçada por protocolos internacionais.

+ 'É improvável achar sobreviventes', diz tenente dos bombeiros 

No total, 45 homens e mulheres da corporação se revezam durante o turno da madrugada para supervisionar a atuação das máquinas. Ao sinal de indícios de sobreviventes, a ordem é que a busca prossiga de forma manual. “As equipes estão atentas aos indícios e não passam a realizar a remoção manual caso seja necessário”, disse o capitão. Às 22h30, equipes de busca encontraram e removeram do local cinco botijões de gás que estavam amontoados em uma só área. O trabalho também já permitiu que fosse encontrada a caixa de energia central da edificação, o que levou ao seu desligamento, diminuindo os riscos para os envolvidos nos trabalhos de resgate.

+ O que se sabe sobre incêndio que derrubou prédio no centro de SP

Oficialmente, quatro pessoas são dadas como desaparecidas, mas moradores e assistentes sociais ainda procuram o paradeiro de cerca de 40 pessoas que costumavam frenquentar o prédio.

+ Número de moradores desaparecidos de prédio que desabou sobe para 49

A montanha de entulhos ainda exala uma fumaça branca constante e, além da atuação com máquinas, ainda há bombeiros com mangueiras jogando água sobre a estrutura numa atividade de resfriamento. A situação é considerada normal por Maculevicius. “O material ficou todo compactado e abaixo do nível do solo ainda está muito quente, o que causa essa situação”, disse. A retirada dos escombros pode chegar a se prolongar até a próxima semana, na previsão dele.

Na madrugada desta sexta, a movimentação em frente à igreja no Largo do Paiçandú, onde estão abrigadas parte das famílias, foi mais tranquila. Apesar de mais barracas terem sido doadas, boa parte das pessoas dormiam em colchões sobre o chão, protegidos por uma cerca metálica instalada para facilitar a identificação e o acesso dos moradores afetados. Roupas doadas foram organizadas sob outro a tenda, e moradores em situação de rua de outras regiões continuavam indo ao local para também receberem mantimentos.

+ Famílias abandonam animais para fugir de incêndio em prédio que desabou

Frei Agostino, que acompanha a situação da população de rua na cidade, prestou assistência aos desabrigados e ajudou a organizar as doações no interior da Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Largo do Paiçandú. Ele criticou o apoio da Prefeitura aos que foram afetados pelo desabamento. “É uma crise que demanda mais atenção para o humano. Se os afetados não estivessem em uma ocupação, mas sim em residências normais, todos já haveriam sido encaminhados a hotéis”, disse.

+ Após incêndio, prefeitura vai investigar outros 70 prédios

Os assistentes sociais ainda tentam fazer com que o grupo deixe o local e siga para abrigos, o que não foi completamente aceito. Dezenas dormiram em frente à igreja nesta madrugada. Nesta quinta, a Defesa Civil municipal instalou uma base nas imediações da área em que o prédio desabou visando ao atendimento a moradores dos edifícios vizinhos; cinco foram esvaziados em razão do risco. Nesta quinta, um grupo de 28 foram levados a três locais para resgatar pertences. O acesso à região afetada permanece restrito em razão das buscas nos escombros.

+ Prédio que desabou em São Paulo era importante exemplar modernista

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.