Daniel Teixeira/AE-30/5/2011
Daniel Teixeira/AE-30/5/2011

Burocracia também cria 'casa fantasma'

Inquilino antigo faz alterações no imóvel e impede o novo de regularizá-lo na Prefeitura

Paulo Saldaña e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2011 | 00h00

Na esquina das Ruas Peixoto Gomide e Barão de Capanema, nos Jardins, zona sul, quatro casas contíguas permanecem vazias há quase seis meses. "Os endereços eram residenciais, depois viraram restaurante. Agora esperam um novo locatário", afirma Adailza Silva dos Santos, representante da C.A.B., empresa que administra uma carteira de imóveis de dois sócios.

Apesar dos altos índices de vacância, é difícil encontrar imóveis totalmente abandonados nos distritos de Vila Mariana e Jardins. O cenário, na verdade, é reflexo da dinâmica de especulação do mercado imobiliário na região e da mudança de perfil de uso dos imóveis. A C.A.B. tem uma dezena de propriedades na cidade, quase todas na mesma região. "A maioria que está vazia tem essa característica. Eram residências que ao longo dos anos viraram lojas e escritórios."

A mudança deixa alguns fantasmas pela região, mesmo sendo nobre e valorizada. Corrente, cadeado e uma grossa camada de poeira no quintal não deixam dúvida de que o sobrado na Alameda Lorena, também nos Jardins, está vazio. O engenheiro Leon Sayeg, de 53 anos, aposta que não será por muito tempo. "A casa, de 1944, é uma joia de construção. Tenho vários candidatos", diz ele, dono desde 1984. O imóvel, residencial, está vazio desde janeiro, após passar por três locatários em cinco anos.

A consultora imobiliária Gertrudes Maria dos Santos, que atua na zona sul, ressalta o atrativo para investidores. "Há muitos imóveis fechados à espera de um bom negócio. Além de vários casos em que clientes de outras cidades compram na capital até por opção de temporada."

A aposentada Lydia Maresco, de 73 anos, nasceu em São Paulo e mora há 15 em Peruíbe, no litoral sul. No fim do ano passado, desembolsou R$ 220 mil por um apartamento de 40 metros na Vila Mariana. "Quando tenho de ir a um médico ou mesmo ao teatro, tenho onde ficar em São Paulo", diz. "E é um bom investimento, uma propriedade que vai ficar para minha filha."

Burocracia. Para alguns imóveis que passaram pela transformação de uso, a corretora Valentina Caran aponta outro motivo para a vacância: a burocracia municipal. "A maioria das grandes casas vazias nos Jardins está irregular porque o inquilino antigo fez alterações no imóvel e o novo não consegue a regularização na Prefeitura", diz ela. "As casas, como as da Avenida Europa, por exemplo, perderam a vocação residencial. E o novo locatário leva até dois anos para regularizar."

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