Burocracia ainda emperra o city tour oficial de SP e ônibus ficam na garagem

Secretaria dos Transportes afirma que está fazendo adaptações nos coletivos que vão prestar o serviço, que é prometido desde 2011; com nove paradas, roteiro deve ter 2h30, partindo da Estação da Luz, ao custo de aproximadamente R$ 30

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2015 | 02h02

Ideia que se arrasta desde 2011 sem sair do papel, o city tour oficial da cidade de São Paulo está com ônibus comprados, roteiros definidos, mensagens de orientações gravadas em três idiomas. Mas ainda sem data exata para começar a receber turistas. A Secretaria Municipal dos Transportes afirma que está fazendo adaptações nos ônibus que vão prestar o serviço, parados em garagens desde agosto, mas promete começar o passeio em breve.

Os cinco ônibus estão na garagem de uma das operadoras da São Paulo Transporte (SPtrans) na zona norte da capital. São vermelhos, de acordo com a comunicação visual da Secretaria Municipal de Turismo. O secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, justifica a demora afirmando que há detalhes técnicos nos coletivos que ainda precisam ser resolvidos.

"Pedi para mudarem a configuração das portas. Do jeito que está, quem entra pela parte de baixo não pode andar para o lado de cima. Então, é isso que eles estão arrumando", disse o secretário. Ele, no entanto, afirmou que o ajuste ficaria pronto "logo". "Vou chamar vocês da imprensa para dar a primeira volta", afirmou, na sexta-feira.

O ajuste pedido pelo secretário é só mais uma etapa da aparentemente insuperável burocracia instalada ao redor desses ônibus. Em maio, a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) aprovou o layout dos coletivos, mas uma proposta da SPTuris sugerida para captar mais recursos - a exploração comercial dos ônibus - não foi liberada. A empresa deve, no entanto, vender espaço publicitário no interior dos veículos, o que está liberado. Mesmo com os remendos na porta, a Prefeitura ainda precisa instalar os totens informativos nos nove pontos turísticos definidos como paradas.

Esse projeto é voltado para o turista que visita a capital. Mas técnicos da SPTuris, animados com as ocupações recentes de espaços públicos - como na Avenida Paulista, quando o trânsito é fechado para os carros - dizem estar esperançosos que o público local tenha peso na lotação dos ônibus, a exemplo do que já acontece nos museus da cidade, que têm público misto entre locais e turistas.

Serviço. O roteiro é estimado em duas horas e meia. A exemplo de outras cidades, como Buenos Aires, a ideia é que o comprador do tíquete embarque no coletivo, acompanhe o trajeto com os fones de ouvido, que transmitirão informações em português, inglês e espanhol, e possa descer nos nove pontos de parada. Partindo da Estação da Luz, o ônibus vai circular por Mercado Municipal, Pacaembu, Ibirapuera e Avenida Paulista, entre outros locais, até terminar no Teatro Municipal, onde fica o ponto final.

Nas paradas, o turista poderá permanecer no ônibus ou descer para passear e embarcar no ônibus seguinte, sem pagar nova passagem. O tour está estimado em R$ 30.

Histórico. O projeto do City Tour começou a tomar forma com um decreto do então prefeito Gilberto Kassab (PSD) em 2011, criando o city tour da cidade e definindo parte dos detalhes do serviço. No ano seguinte, ele lançou uma licitação.

A proposta era que uma empresa fosse contratada para explorar o tour por um prazo de dez anos. Venceria quem cumprisse as exigências da Prefeitura e oferecesse o menor preço do tíquete. A estimativa, na época, era que o valor ficaria em torno de R$ 70, segundo o edital da licitação.

O projeto foi alterado na gestão Fernando Haddad (PT), que cancelou a licitação ainda no terceiro mês de mandato, em 2013. O programa foi assumido pela SPTuris, que modelou todos os detalhes de trajeto, mensagens gravadas e formato dos ônibus, e a SPTrans ficou encarregada de gerenciar a operação dos coletivos.

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