Búlgaro se perde e vai parar no Galeão com roupa de hospital

Turista que chegou ao Brasil no dia 29 para ver médium de Goiás acabou em um abrigo, foi ferido e fugiu do Souza Aguiar

MARIANA DURÃO / RIO , O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2012 | 03h02

Um turista búlgaro com roupas de hospital e agulha de soro no braço foi encontrado e abordado por policiais no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio. Georgi Petrov, de 42 anos, foi encaminhado no fim da tarde de ontem para avaliação psiquiátrica após depor por cerca de quatro horas na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat). Segundo a polícia, ele sofre de problemas mentais e afirmou ter vindo ao Brasil para se tratar com o médium João de Deus, que atende no interior de Goiás.

O búlgaro chegou ao Brasil no último dia 29, mas teria perdido seu voo de conexão para Goiás. Depois disso, ele chegou a ficar em um abrigo da prefeitura do Rio, de onde fugiu. Encontrado ferido na rua, foi encaminhado ao Hospital Souza Aguiar. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele deixou o local à revelia dos médicos e retornou ao aeroporto com as roupas da instituição e a agulha no braço.

Após a abordagem de funcionários da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e de policiais, ele voltou ao hospital. Teve alta ontem pela manhã e foi depor na delegacia. Dependendo do resultado do exame que será feito, o búlgaro será encaminhado para um abrigo social ou ficará internado em um hospital psiquiátrico, provavelmente o Instituto Psiquiátrico Philippe Pinel.

Espancamento. À polícia, Petrov afirmou que, um dia após chegar ao Brasil, foi espancado na Favela do Barbante, na Ilha do Governador, próxima ao aeroporto. Os policiais, porém, acreditam que as informações prestadas pelo turista estão confusas e incoerentes e não podem ser dadas como seguras.

"Nossa preocupação agora é tentar ajudá-lo. Estamos tentando prover os cuidados de que necessita", disse o delegado Alexandre Braga, titular da Deat. Segundo ele, ainda não há a uma conclusão final sobre as hipóteses de assalto e cárcere privado mencionadas por ele.

Petrov é aposentado pelo governo da Bulgária por sofrer de problemas mentais. Ele também não fala nenhuma outra língua além de búlgaro e precisou da ajuda de uma voluntária, a búlgara Elitza Lubenova, que traduziu o depoimento. Ela fez críticas à falta de apoio da embaixada e do consulado de seu país.

A polícia do Rio tentou diversos contatos com os órgãos oficiais búlgaros, sem sucesso. Segundo o cônsul da Bulgária, Manuel do Nascimento, o turista não aceitou ajuda e chegou inclusive a desligar o telefone quando a embaixada fez contato. Ele afirma que o consulado só poderá tomar providências se a família fizer contato com o consulado e enviar recursos para enviá-lo de volta à Bulgária.

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