Bruno tem 1ª condenação: 4 anos por sequestro

Processo foi aberto na Justiça do Rio depois que Eliza Samudio denunciou que ex-goleiro do Flamengo a forçara a tomar abortivos; na sentença, juiz se refere a ele como ''covarde''

Gabriela Moreira, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2010 | 00h00

O goleiro Bruno Fernandes foi condenado a 4 anos e 6 meses de reclusão por sequestro, lesão corporal e constrangimento ilegal da ex-amante Eliza Samudio, desaparecida em junho. O processo foi aberto na Justiça do Rio após a denúncia feita pela modelo em outubro de 2009 de que o jogador a teria forçado a ingerir substâncias abortivas. Parte da pena terá de ser cumprida em regime fechado.

Também foi condenado, a 3 anos de prisão, o amigo de Bruno Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. Na sentença, o juiz Marco José Mattos Couto, da 1.ª Vara Criminal, afirma que Bruno foi "covarde" e tem "personalidade criminosa". Segundo o depoimento de Eliza à época do crime, Bruno, Macarrão e outros dois amigos não identificados a colocaram em um carro, onde o goleiro a teria agredido e em seguida a forçado a "tomar um remédio amargo". Eliza estava então grávida de 5 meses do filho que seria do jogador.

A decisão no Rio não está ligada ao processo aberto pela Justiça de Minas Gerais, que investiga o desaparecimento e suposto assassinato de Eliza. O motivo da morte teria sido a briga para que Bruno reconhecesse a paternidade da criança.

"Bruno não deixa de ser primário, pois ainda há chance de recurso, mas pode ajudar a formar opinião, pois ele já tem maus antecedentes", explica o promotor Eduardo Paes, autor da denúncia no Rio. O advogado de Bruno, Claudio Dalledone, vai recorrer.

Na decisão, o juiz fez comentários sobre a conduta de Bruno. "Se o réu optou por uma aventura amorosa inconsequente, cabia-lhe arcar com as responsabilidades que dela decorreram." Couto também afirmou que "ninguém é inocente" nas relações entre jogadores de futebol e mulheres.

O magistrado lamentou que Bruno tenha se tornado um ídolo do futebol, porque "não é digno de qualquer admiração".

Pedido negado. Em Brasília, o Superior Tribunal de Justiça rejeitou pedido de transferência de cidade do processo no qual Bruno é acusado de envolvimento no assassinato de Eliza. A defesa do atleta queria que o processo saísse da cidade mineira de Contagem para Vespasiano, onde, de acordo com a acusação, teria ocorrido o homicídio.

A relatoria do STJ alegou que não há certeza sobre o local do crime e, assim, o processo deve tramitar onde ocorreu o primeiro ato jurisdicional do caso.

Família. Luís Carlos Samudio, pai de Eliza, criticou ontem a demora da Justiça em condenar Bruno e Macarrão. "Se não fosse o descaso da Justiça e se as denúncias de minha filha tivessem recebido a atenção que mereciam, certamente ela estaria viva e cuidando do filho dela." Mas afirmou que as condenações dos dois são uma vitória, mesmo considerando as penas pequenas. Para o pai de Eliza, "esta é uma pequena parcela do que ainda virá, principalmente se os envolvidos forem a júri popular".

Para ele, a condenação pode ajudar a reverter a decisão sobre a guarda do neto. A Justiça concedeu a guarda provisória do menino à mãe de Eliza, Sônia Fátima Moura, e Luís Carlos disse que não tem mais notícias do neto.

Ainda segundo ele, as investigações sobre o paradeiro do corpo de Eliza continuam sendo feitas sob sigilo pela polícia mineira.

Triste pela falta de "notícias" sobre a filha, Sônia informou que não quer mais falar do assunto. Mas seu marido, Hernani Silva de Moura, afirmou que o casal "espera que a Justiça mineira também condene com todo o rigor esse homem". / COLABORARAM FABIULA WURMEISTER e JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, ESPECIAIS PARA O ESTADO

 

 

 

 

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