'Bruno é o mandante', afirma delegado, após nova tática da defesa

Responsável por indiciar goleiro e mais 8 por morte de Eliza Samudio diz que culpar Macarrão não altera processo

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

14 Março 2012 | 03h05

O delegado Edson Moreira afirmou ontem que já esperava pela nova estratégia do advogado de Bruno Fernandes de tentar responsabilizar Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, pela morte de Eliza Samudio, de 25 anos. Para o delegado que indiciou o ex-goleiro do Flamengo e mais oito pessoas pela assassinato de sua ex-amante, a mudança de tática da defesa não altera o andamento do processo. "Bruno é o mandante e não tem jeito de tirar isso de cima dele", afirmou.

"Percebi que o Macarrão poderia assumir o crime porque foi o único que nunca deu declarações", disse o delegado, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) da Polícia Civil mineira. A estratégia da defesa de Bruno consistia em dizer que Eliza não estava morta, uma vez que seu corpo não foi encontrado. A versão mudou. "É uma estratégia de defesa. Estão tentando tirar (Bruno) do homicídio triplamente qualificado para ele responder só pelo sequestro e cárcere privado", disse Moreira.

Desde o início das investigações sobre o desaparecimento de Eliza, em junho de 2009, os acusados negavam que ela havia sido morta. Na época do crime, ela pedia a Bruno o reconhecimento da paternidade do filho.

O novo advogado de Bruno, Rui Caldas Pimenta, afirmou que a defesa vai assumir que a jovem foi assassinada. No entanto, segundo o advogado, o crime foi cometido pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, a mando de Macarrão. Segundo Pimenta, a alteração se deve à "mudança de advogado". "Já fiz quase mil júris. Minha estratégia é a verdade."

Em dezembro de 2011, outro advogado que defendeu Bruno, Cláudio Dalledone Júnior, deixou o caso afirmando que o argumento de que Eliza não foi morta é "retórico" e "infantil". Um mês antes de renunciar à defesa, Dalledone acompanhou em Belo Horizonte o julgamento do ex-cabo da Polícia Militar Edivaldo Simplício e de sua ex-mulher Geralda Simplício. Eles foram condenados a 15 e 14 anos de prisão, respectivamente, pelo assassinato da amante de Edivaldo, a secretária Viviane Camargos, em 2002, apesar de o corpo nunca ter sido achado.

O delegado Moreira também foi responsável pelas investigações e indiciamentos. "Ele (Dalledone) e a Ingrid (Calheiros, dentista que está noiva do goleiro) estavam no julgamento. Logo depois ele deixou a defesa do Bruno", disse Moreira. "Viram que o Bruno vai ser condenado e mudaram a defesa. A tendência é Macarrão assumir e segurar as pontas."

Tática. "Estratégia é normal. Isso é artimanha, porque ele era a galinha dos ovos de ouro. Todos os envolvidos se beneficiavam do dinheiro que ele recebia como jogador", disse, sem querer se identificar, um dos mais de 20 advogados inscritos para atuar na ação.

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