Bruno é indiciado por 5 crimes na morte de Eliza

Outras sete pessoas também vão responder por homicídio, sequestro, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores

Eliane Souza, especial para o Estado de Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

O ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes foi indiciado por homicídio, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. Concluído ontem pela Polícia Civil de Minas, o inquérito sobre o desaparecimento da ex-amante de Bruno, Eliza Samudio, tem oito volumes e cerca de 1,6 mil páginas. Se condenado por todos os crimes, o atleta pode pegar no mínimo 18 e no máximo 51 anos.

Também foram indiciadas pelos mesmos crimes sete pessoas: Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão; Flávio Caetano de Araújo; Wemerson Marques de Souza, o Coxinha; Dayane Rodriques do Carmo Souza, mulher de Bruno; Elenilson Vitor da Silva; Sérgio Rosa Sales; e Fernanda Gomes de Castro. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi indiciado por homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

Na opinião do delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios (DIHPP), não há dúvidas de que Bruno é o mandante.

Cabelo. No presídio de Contagem, Bruno raspou a cabeça nesta semana e os agentes prisionais queimaram o cabelo do atleta na sua frente, para garantir que não fosse usado em exames de DNA. O goleiro se recusa a fornecer material para o teste. Outros seis homens presos por envolvimento no caso também tiveram a cabeça raspada, segundo a Secretaria de Defesa Social.

Na manhã de ontem, Bruno e os outros suspeitos foram levados ao DIHPP para que a polícia coletasse as impressões digitais, procedimento preparatório para o indiciamento. A ação foi criticada pela advogada Cintia Ribeiro, representante da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas (OAB-MG). Para ela, a coleta era desnecessária.

O único suposto envolvido que não foi levado ao departamento foi o primo adolescente do goleiro. Por ter menos de 17 anos, seu processo está separado e ele aguarda julgamento pelo Juizado da Criança e do Adolescente de Contagem.

Pai. Na manhã de ontem, o pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, esteve no DIHPP e disse estar satisfeito com o trabalho da polícia. Ele afirmou que pretende entrar com ação contra o governo do Rio, por acreditar que o Estado não deu proteção adequada à modelo após as primeiras denúncias contra o goleiro.

O pai de Eliza disse ainda que vai processar o defensor de Bruno, Ércio Quaresma, pelas declarações de que a modelo pode estar viva e por ter incluído a jovem como testemunha no processo referente ao sequestro e lesão corporal - no qual ela é vítima - no Rio.

Ele quer ainda que o Flamengo deposite em juízo o dinheiro que o clube supostamente deve a Bruno - cerca de R$ 1 milhão em salários atrasados, segundo o advogado do jogador.

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