Briga entre Gugu e jogador do Fluminense vai parar na Justiça

Ambos negam terem sido responsáveis por obra em prédio no Rio que causou a morte de duas crianças em 2007

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

O apresentador Augusto Liberato, o Gugu, e o jogador Emerson, do Fluminense, se enfrentam na Justiça por causa de uma obra em um duto de gás que causou a morte de duas crianças em 2007, na cobertura do condomínio Barra Beach, na orla da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

O atleta, que comprou o imóvel do apresentador, ingressou ontem com uma ação contra Gugu pelo reembolso de multas e processos pela obra que tapou a ventilação de gás do prédio, em 2002. Em agosto de 2007, durante o banho, as crianças Kawai, de 12 anos, e Keilua Baisotti, de 5, morreram intoxicadas. O valor da indenização exigida pelo jogador pode chegar a R$ 3 milhões.

"Meu cliente comprou o imóvel à boa-fé e não imaginava que o apartamento apresentasse riscos. Sete perícias comprovaram que o duto foi fechado no período em que Gugu era responsável pelo apartamento", disse o advogado de jogador, Márcio Salabert. O atleta não chegou a morar no imóvel. A cobertura foi alugada pelo padrasto das meninas, que moravam na Itália e passavam férias no Rio.

Ontem, os representantes da Promoart, empresa do apresentador, anunciaram que vão acionar judicialmente a Sfera Engenharia - contratada para a reforma -, o condomínio Barra Beach e o jogador de futebol. Segundo a Promoart, o atleta realizou as obras após ter adquirido o imóvel.

Na época do incidente, os engenheiros alegaram que construíram o telhado sobre a saída do duto porque não sabiam que os tubos fossem ligados aos banheiros. Ontem, a Sfera não se manifestou.

Em Milão, na Itália, a mãe das meninas, Conceição Gonçalves Ferreira, de 36 anos, lamentou a batalha judicial. "É a constatação de que eles não estão nem aí para o risco que uma obra malfeita pode causar. Eles tentam escapar do processo, mas obviamente não vão conseguir. Acredito na Justiça, mesmo sendo lenta. Amanhã (hoje) completam três anos da tragédia e nenhuma audiência foi marcada."

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