Vanusa Tochi/Sigmapress
Vanusa Tochi/Sigmapress

Tiroteio durante churrasco na zona leste deixa 1 morto e 3 feridos

Familiares e amigos participavam de festa na porta de casa, em Sapopemba, quando dois homens anunciaram assalto

Felipe Resk e Bibiana Borba, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2017 | 07h42
Atualizado 10 Julho 2017 | 19h13

SÃO PAULO - Um churrasco feito por moradores da Vila Nova Pauliceia, na região de Sapopemba, na zona leste da capital, terminou em tiroteio após o grupo sofrer uma tentativa de assalto na noite deste domingo, 9. Os dois bandidos foram baleados e um deles morreu no local. Uma dona de casa de 45 anos também foi vítima de um disparo na cabeça e um homem, de 40 anos, foi alvejado na mão. Sob condição de anonimato, uma testemunha do tiroteio afirmou ao Estado que um policial militar de folga participava do churrasco e teria reagido ao ataque dos criminosos.

Segundo a testemunha, o agente seria morador da região e as circunstâncias teriam sido relatadas aos investigadores - mas não consta no boletim de ocorrência uma possível participação de um policial no caso. "Foi muito rápido. Eles disseram para ninguém se mexer e já desceram da moto atirando", disse. "Depois, foram para cima do PM: é claro que houve reação." No local, a perícia encontrou cápsulas de pistola calibre 380, mas os assaltantes estavam armados com um revólver 32.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou, em nota, que foi instaurado inquérito do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) para investigar o caso. "O local foi periciado e a investiação irá apontar as circunstâncias da ocorrência", diz o comunicado. 

Segundo moradores, a festa é realizada todo fim de semana pela vizinhança da Rua Alexandrina Pereira Novaes, que se transforma uma espécie de "rua de lazer" com dezenas de crianças correndo e empinando pipa. Por volta das 19 horas, os amigos  faziam um churrasco e jogavam truco na calçada, mas foram surpreendidos pelos dois homens em uma motocicleta.

Com arma na mão, o garupa anunciou o assalto. "Ninguém se mexe nessa porra", disse o suspeito, de acordo com relato de uma testemunha no 69º Distrito Policial (Teotônio Vilela), responsável por registrar o crime. Logo depois, começaram os disparos que estilhaçaram garrafas de bebida, acertaram muros das casas e atingiram quatro pessoas - entre elas os dois suspeitos. 

O corpo de Gustavo Luna de Jesus, de 20 anos, que conduzia o veículo, foi encontrado na Rua Mocoim, a três quadras do local do crime. Quando as equipes médicas chegaram, o suspeito já estava morto. O outro assaltante, Caique Delgado Frangiosi, de 18 anos, foi atingido no abdome, no braço e também recebeu um tiro de raspão na cabeça, mas resistiu aos ferimentos.

Frangiosi ficou caído na rua ao lado da moto, uma Honda CB 250 Twister, de cor preta, a cerca de 30 metros de onde se iniciou o tiroteio. Ele foi socorrido ao Hospital da Vila Alpina, na zona leste, e não corre risco de morte, segundo a Polícia Civil.

O suspeito é mantido sob custódia policial e a prisão em flagrante deve ser confirmada após alta hospitalar. O veículo também foi apreendido. Com eles, os policiais encontraram, ainda, o revólver calibre 32 com três balas deflagradas e uma intacta, além de  um aparelho celular desligado. "Onde estava o motociclo caído e o suspeito Caique, havia diversas cápsulas de pistola calibre 380", informou a Polícia Civil, no boletim de ocorrência. 

No documento, os investigadores afirmam que Frangiosi foi "surpreendido logo após ter tentado subtrair mediante grave ameaça" e que houve "disparos de arma de fogo entre o indiciado  e um terceiro desconhecido". Também dizem que a morte de Jesus aconteceu "em razão do assalto" e que "não se sabe qual projétil de arma de fogo atingiu o roubador (...) se do próprio comparsa ou ele mesmo atirou, ou um terceiro desconhecido".

Vítimas. Moradora da região, a dona de casa A. A. R., de 45 anos, foi baleado na cabeça durante o tiroteio. Ela foi levada por familiares ao Vila Alpina e depois foi transferida para o Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara, zona sul da capital. A vítima é mantida em coma induzido e tem quadro de saúde estável, segundo a família. Já o decorador R. L. V. B., de 40 anos, foi atingido na mão e passou por cirurgia em um hospital de Santo André, na Grande São Paulo.

Na delegacia, o irmão da dona de casa afirmou que logo após o anúncio do assalto ouviu "diversos disparos de arma de fogo". Para fugir dos tiros, ele se jogou no chão. Depois, viu que a irmã havia sido baleada e chamou amigos para prestar socorro. Mais tarde, ele reconheceu Jesus e Frangiosi como autores da tentativa de assalto.

O depoimento da testemunha não confirma a versão de que os assaltantes teriam se desentendido entre si. O relato, no entanto, é repetido por moradores da rua. "Pelo que dizem, eles chegaram para pegar o celular de todo mundo: um atirou na minha sobrinha, o outro não gostou e eles começaram a trocar tiros", disse o aposentado Vicente Augusto, de 69, que mora na frente do local do churrasco. No momento do crime, ele estava fazendo café e diz não ter presenciado a ação.

Outras duas vizinhas, ouvidas pela reportagem, também disseram ter "ouvido falar" na versão da briga entre os assaltantes, mas afirmaram que não viram como tiroteio começou. O caso é investigado com assessoramento do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

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