Google Street View/Reprodução
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Briga em estacionamento termina com morte no centro de SP

Confusão começou após um cliente reclamar com o proprietário de um arranhão no carro; vítima seria estrangeira

Luiz Fernando Toledo e Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2016 | 08h23
Atualizado 22 Novembro 2016 | 21h07

SÃO PAULO - Uma discussão que começou por causa de um risco em um carro em um estacionamento no Bom Retiro, na região central da capital paulista, terminou com a morte de um homem de 30 anos, na tarde desta terça-feira, 22. O comerciante libanês Ahmad Hawali foi atingido por um tiro no pescoço, disparado pelo dono do estabelecimento, após uma briga. E morreu no local. Um amigo sírio de 24 anos também foi atingido e está internado no Hospital das Clínicas, em estado grave. O autor dos disparos fugiu.

O caso teve início no sábado, quando um vendedor de 24 anos e o irmão de Halawi estacionaram o veículo no local. Ao retornarem no mesmo dia, encontraram o carro riscado e foram reclamar com o dono do estacionamento. A discussão virou briga: com a ajuda de outras pessoas, o proprietário teria agredido os dois rapazes.

Nesta terça, a dupla voltou ao local e trouxe consigo Halawi e outros amigos para se vingar. De acordo com as informações do Boletim de Ocorrência, Ahmad agrediu um homem que estava na frente do estacionamento com um pedaço de madeira. O rapaz fugiu para os fundos e chamou o dono do estabelecimento, que disparou contra o grupo, acertando Ahmad e um dos amigos, de 24 anos. 

O autor dos disparos roubou então o Montana que era usado pelo homem agredido a pauladas e fugiu. Na saída, ele ainda passou com o veículo por cima do pé de um dos rapazes. Em seguida, um funcionário do estacionamento deu golpes com uma barra de ferro no amigo de Ahmed, que estava caído e ferido no chão.

A polícia encontrou o bastão de madeira usada pelo grupo e também a barra de ferro do funcionário. Imagens das câmeras de segurança do local foram capturadas, mas a polícia diz que “por falta de meios técnicos, não conseguiu assistir às eventuais imagens gravadas”. O caso foi registrado no 12.º Distrito Policial (Pari) e será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 

“Tranquilo”. Vizinhos do estacionamento ficaram surpresos com a notícia de que um homicídio aconteceu no local. Os comerciantes que atuam ao lado do estabelecimento disseram que não conheciam o dono, mas que nunca ouviram falar de qualquer episódio de violência por lá. “A gente é cliente, mas não o conhecia direito. Só sei que era tranquilo, gente boa, nunca deu problema”, disse o balconista Roberto de Assis, de 45 anos, que trabalha na frente do imóvel. 

O comerciante Roberto Mendes, que trabalha ao lado, afirma que tinha acabado de fechar sua loja quando ouviu cinco tiros e correu com os funcionários para os fundos. “Quando olhei pela câmera para sair já estava cheio de gente em volta”, contou. Mendes disse que outros comerciantes da rua têm câmeras de segurança que poderiam ter captado a fuga do dono do estacionamento.

Na internet. Amigos e parentes lamentaram a morte de Halawi e publicaram fotos dele nas redes sociais. De acordo com as publicações, ele estava noivo e se casaria ainda neste ano. “Descanse em paz, meu irmão. Sem palavras. Que Deus o proteja”, escreveu uma amiga brasileira.

A presidente da Associação Cultural Brasil-Líbano, Lody Brais, lamentou o episódio. “A comunidade está chocada com isso. Há muitos libaneses na região. É uma área de muitos comerciantes, uma tradição”, disse Lody. 

Correção: 22 de novembro de 2016, às 15h17

A reportagem foi atualizada para corrigir a informação de que duas pessoas morreram após a discussão no estacionamento, conforme havia divulgado por telefone a assessoria de imprensa da Polícia Militar. A informação foi negada e corrigida pela assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas.

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