Helvio Romero/AE
Helvio Romero/AE

Briga causou incêndio que atingiu a Favela do Moinho, dizem moradores

Defesa Civil estima que ao menos 80 barracos foram consumidos pelas chamas e 300 pessoas ficaram desabrigadas; uma pessoa morreu

Gustavo Villas Boas e Gheisa Lessa - O Estado de S.Paulo,

17 de setembro de 2012 | 07h31

Atualizado às 12h46

São Paulo, 17 - Moradores da Favela do Moinho, na região central de São Paulo, afirmam que o incêndio da manhã desta segunda-feira foi provocado por uma briga entre dois usuários de drogas que vivem no local. Ainda de acordo com os moradores, um dos envolvidos na briga morreu. O caso será investigado por policiais civis do 77º DP (Santa Cecília) e do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).

Duas moradoras, vizinhas do barraco onde teria começado o fogo, às 7h, dizem que uma família que morava no local, assistida por um programa da Prefeitura, deixou o local há cerca de três meses. A casa foi então ocupada pela dupla que teria participado do tumulto que deu início ao incêndio.

Moradora da comunidade há mais de cinco anos, Gislaine dos Santos salvou uma televisão e o aparelho de microondas. Ela conta que saiu para levar seus dois filhos - um menino de quatro anos e uma menina de dois - até uma creche da região e quando voltou para casa, o incêndio já consumia parte da favela. "Acordei o meu marido e saímos correndo só com as roupas do corpo. Ele conseguiu pegar a TV e o microondas, mas foi só isso, todo o resto está queimado. Perdemos um guarda-roupas novo e também a beliche das crianças, que ainda nem pagamos", lamentou. "E ainda temos que ficar de olho no pouco que conseguimos salvar porque é fácil de alguém roubar", disse.

"Agora temos que erguer a cabeça e continuar", é o pensamento de Maria Cristina Santos, moradora do Moinho há 15 anos. Ela trabalha com reciclagem e teve sua casa totalmente incendiada. Casada e mãe de um adolescente de 15 anos, afirma não saber o que fazer.

Mãe de seis filhos, Bianca, de 25 anos, que preferiu não dar o nome completo à reportagem, conseguiu salvar somente a cadeira de rodas de uma de suas filhas. Separada, ela mora no Moinho há um mês, por falta de opção. "Ninguém aluga uma casa ou apartamento para quem tem cinco filhos".

A Defesa Civil estima que ao menos 80 barracos foram consumidos pelas chamas e 300 pessoas ficaram desabrigadas. O trânsito foi bloqueado nos dois sentidos do Viaduto Orlando Murgel - ligação entre as avenidas Rio Branco e Rudge -, que será avaliado. 

Além disso, a circulação foi interrompida nas 7-Rubi e 8-Diamante da CPTM e, de acordo com a SPTrans, 17 linhas ônibus tiveram itinerário desviado. Todas as ruas do entorno da comunidade estão bloqueadas, segundo a CET, e vias no sentido da alça da Marginal do Tietê para a Ponte da Casa Verde também estão fechadas. O trânsito está concentrado na Avenida Rudge.

A assessoria de imprensa do Metrô informou o incêndio não interfere nas operações desta segunda-feira.

Este é o sétimo incêndio em comunidades da capital paulista nos últimos 40 dias e o 34º caso apenas no Estado de São Paulo. O coordenador da Defesa Civil de São Paulo, coronel Jair Paca de Lima, afirma que "o tempo seco e a enorme quantidade de materiais inflamáveis - papelões, madeira, botijões de gás - são os principais causadores de incêndios nas favelas paulistas".

Comunidade - A Favela do Moinho ocupa uma área de 30.107 m², com aproximadamente 375 barracos, segundo dados da Prefeitura de São Paulo. Em dezembro de 2011, a mesma comunidade foi atingida por outro grande incêndio, 368 barracos foram destruídos e cerca de 1,5 mil moradores ficaram desabrigados. A Prefeitura já informou a intenção de transformar a região em um parque e três terrenos estavam em análise para receber as famílias que ocupam a favela.

 

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