Brechós fazem sucesso na internet

Lojas de usados vencem preconceitos e se multiplicam na web; internautas podem oferecer coisas guardadas em casa

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2012 | 03h07

ONDE: VIDEDRESSING: WWW.VIDEDRESSING.COM.BR; LEBEH: WWW.LEBEH.COM.BR; PEGUEI BODE: PEGUEIBODE.COM.BR; ENJOEI: ENJOEI.COM.BR; CAFÉ BRECHÓ: WWW.CAFEBRECHO.COM.BR; PERSONAL BRECHÓ: WWW.PERSONALBRECHO.COM.BR; ALICE USAVA: BRECHOALICEUSAVA.ONLINE.BLOGSPOT.COM.BR

Comprar e vender roupas usadas virou febre na internet. Nos últimos três anos, os brechós virtuais se multiplicaram. Eles começaram como blogs pequenos, abertos por quem achou um bom jeito de se desfazer de roupas usadas e ainda ganhar dinheiro com isso. De um ano para cá, o setor cresceu e se transformou em "negócio de gente grande".

Uma das novidades da rede é o videdressing.com.br, com 3 mil produtos catalogados, à venda por um preço médio de R$ 120. O site funciona como um grande guarda-chuva, onde os interessados anunciam e negociam diretamente suas peças. A partir do segundo semestre, o site brasileiro começará a hospedar também vendedores franceses.

A organização da loja se responsabiliza pela negociação. O produto é enviado diretamente do vendedor para o comprador, mas é o site que recebe o dinheiro. "Seguramos o pagamento até dois dias antes de repassá-lo. Isso para que o consumidor possa verificar se recebeu o produto certo, nas condições e no tamanho combinados. Quando ele dá o ok para o site, repassamos o dinheiro para o vendedor", explica a empresária francesa Catherine Henry, de 52 anos, que trouxe o Videdressing para o Brasil. O site fica com 20% da compra. "Caso não esteja satisfeito, o consumidor devolve a mercadoria e recebe o dinheiro de volta."

Na França, o site oferece 5 mil produtos e é recordista de vendas. "Não tenho hábito de comprar roupas usadas, mas anunciei um par de tênis Tommy Hilfiger que comprei para o meu filho João, de 8 anos. Era novo", diz a editora de moda, Cecília Lima, de 34. "Vendi em uma semana. Agora coloco itens usados que estão praticamente novos."

Outra tendência envolve os sites de marcas internacionais, montados por um grupo de amigas que acharam um jeito de reciclar o guarda-roupa cheio de marcas internacionais, como Chanel, Marc Jacobs, Fendi e Louis Vuitton. É o caso da advogada Flávia Eluf, de 42 anos, e das enteadas Daniela, de 26, e Gabriela Carvalho, de 20, que montaram o Peguei Bode. Trata-se de um brechó que recebe por semana cerca de 150 produtos e tem 20 mil acessos por dia. Lá, há itens como uma bolsa Dolce & Gabbana, de couro, por R$ 2 mil, e uma Chanel por R$ 7 mil.

Montado nos mesmos moldes, o Lebeh.com.br divide em até dez vezes o pagamento e oferece serviço especial para internautas cadastrados. "Levamos uma arara com alguns dos modelos escolhidos para a cliente provar em casa", diz Vivian Wroclawski, de 33 anos, que há seis meses abriu o site, ao lado da amiga de faculdade Tânia Kuaye, de 33. O Lebeh abriga 500produtos. Há peças que só foram usadas uma vez - como o vestido de seda da grife Cris Barros, por R$ 399 -, além acessórios novos com etiqueta. "O brechó eletrônico é prático", diz a figurinista Alice Martins, uma das pioneiras, há três anos com o blog Alice Usava, de peças vintage. "O site é como uma lista pronta do que tem por aí, mas o consumidor tem de saber selecionar."

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