Brasília evacua prédios após terremoto de 5 graus

Um terremoto de 4,5 graus na escala Richter, considerado de intensidade moderada, foi sentido ontem em Brasília, provocando correria e sustos. Segundo o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), o tremor foi um dos maiores já registrados na região central do País. O epicentro foi a 250 km da capital federal, na divisa entre Goiás e Tocantins, onde os pesquisadores observam atividade sísmica desde a década de 1990.

Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2010 | 00h00

Um terremoto dessa intensidade já pode provocar danos, mas é incapaz de derrubar prédios, segundo o professor George Sand França. "Só vai balançar um pouquinho", comentou.

França, no entanto, observou que na região do município de Mara Rosa (GO), próxima do epicentro, o impacto foi maior. O terremoto foi registrado às 17h17 pelo Observatório Sismológico da UnB. Segundo os pesquisadores, a duração na região deve ter ficado entre 20 e 30 segundos no epicentro, enquanto que em Brasília não passou de 5 segundos. A avaliação preliminar da UnB é a de que o terremoto foi causado por movimentos bruscos em falhas da placa sul-americana.

Fuga. O prédio do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) foi esvaziado após o tremor. Assustados ao perceberem que o chão estava tremendo, funcionários do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também abandonaram a Corte. No fim da tarde, integrantes da equipe de segurança avisaram que a situação já estava normalizada e todos poderiam voltar ao trabalho. Funcionários do 4.º andar do Palácio do Planalto também sentiram tremores e foram orientados pela segurança e pelos bombeiros a descerem pelas escadas. Mas o prédio não foi evacuado.

O Corpo de Bombeiros atendeu chamadas de moradores de várias regiões do Distrito Federal, como Taguatinga, Ceilândia e Plano Piloto. O maior terremoto anterior da história do DF ocorreu em 2000, tendo como epicentro a cidade-satélite de São Sebastião; na ocasião, a magnitude chegou a 3 graus. Mesmo assim, o tremor de ontem passou batido para alguns brasilienses, como a arquiteta Rosângela Correa. "Estava encostada na parede, quando senti o tremor. Estava tão concentrada numa tarefa que nem me importei", disse. Ela trabalha em um edifício no centro de Brasília.

Segundo França, no dia 4 um tremor de 3,6 graus foi sentido na mesma região entre os Estados de Goiás e Tocantins, o que indica que novos terremotos podem ocorrer. "Todo tremor quando ocorre tem a possibilidade de ocorrer réplicas. Normalmente a natureza responde com magnitude menor que o normal, mas nunca podemos afirmar se será maior ou menor."

Agora, os professores da UnB trabalham para fazer uma localização mais exata do epicentro do terremoto que sacudiu Brasília ontem. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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