Brasileiros são espancados e queimados vivos na Bolívia

Policiais confirmaram ontem o espancamento e a morte dos brasileiros Rafael Max Dias, de 28 anos, e Jefferson Castro Lima, de 31. Depois de gravemente feridos em sessões de chutes e socos, eles foram encharcados de gasolina e queimados vivos na presença de pelo menos 30 pessoas. Ambos estavam presos na delegacia de polícia de San Matías, na Bolívia, na fronteira com Cáceres, região sul de Mato Grosso, sob acusação de terem assassinado os bolivianos Paulino Parabá Ramos, de 33 anos, Banderley Costas Parabá, de 27, e Edgar Suárez Rojas, de 26, na segunda.

JOÃO NAVES DE OLIVEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , CÁCERES (MT), O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2012 | 03h04

A polícia do país vizinho acredita que o triplo assassinato aconteceu depois de um acerto de contas sobre tráfico de cocaína, envolvendo automóveis e motos roubadas. Ainda conforme informações dos policiais bolivianos, não havia recursos para evitar o massacre, por causa do fraco sistema de segurança da delegacia local. "As portas foram arrombadas por uma multidão e os dois rapazes retirados à força da cadeia. No momento do tumulto, havia apenas quatro policiais aqui", disse um deles.

Nota do Ministério de Relações Exteriores manifestou repúdio pelo crime e informa que a Embaixada brasileira em La Paz pediu às autoridades bolivianas a adoção de medidas que evitem a ocorrência de situações similares. O Consulado-geral em Santa Cruz de la Sierra também foi instruído a "organizar visita de agentes consulares e policiais brasileiros à localidade, com vistas a colher informações detalhadas sobre o incidente, acompanhar o início das diligências policiais e prestar assistência consular às famílias das vítimas".

Entreposto. As ocorrências aconteceram em plena discussão sobre a grande quantidade de cocaína boliviana que entra em Cáceres diariamente. O juiz da Vara Criminal e de Execuções Penais, Alex Nunes Figueiredo, afirmou que Cáceres "vive da cocaína boliviana". "Está muito dependente da droga."

O próprio comandante da Polícia de San Matías, capitão Alvaro Perez, reconhece a grande movimentação dos narcotraficantes perto da fronteira.

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