Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Brasileiros querem ir do YouTube ao Guggenheim

Concurso promovido pelo museu avalia vídeos de todo o mundo; um dos finalistas se inspirou em foto publicada no 'Estado'

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2010 | 00h00

Referência em arte contemporânea, as quatro filiais do Museu Guggenheim ao redor do mundo vão dar, por meio de um concurso, o status de obra de arte a 20 vídeos do YouTube - e dois paulistanos podem estar entre eles. Um é o músico e publicitário Jarbas Agnelli, que concorre com Birds on the Wires, um vídeo feito a partir de uma foto publicada no Estado. O outro é Jonathas Penna, ou Joe Penna, conhecido como MysteryGuitarMan.

Os dois estão entre os 125 finalistas da primeira edição do YouTube Play, o concurso que já está sendo chamado pelos organizadores de "Bienal do Vídeo Criativo". O prêmio não podia ser melhor para um artista: expor nas filiais do Guggenheim em Veneza, Berlim, Bilbao e Nova York.

O resultado sai na quinta-feira e a escolha vai ser feita por uma curadoria que inclui artistas plásticos, designers, fotógrafos, cineastas (um deles é Darren Aronofsky, diretor do filme Réquiem para um Sonho) e músicos (como os quatro integrantes da banda americana Animal Collective). A presidente do júri é Nancy Spector, diretora da Fundação Solomon R. Guggenheim, que mantém os museus. A ideia é descobrir quais são os vídeos mais notáveis e criativos publicados na internet.

Vídeo-celebridade. Um dos dois paulistanos escolhidos é, na verdade, funcionário do YouTube. Joe Penna tem 23 anos e trabalha para a empresa fazendo vídeos sob o codinome de MysteryGuitarMan, um sujeito excêntrico que toca instrumentos de forma inusitada.

Joe parece ter o trabalho dos sonhos. Como vários de sua idade, costumava postar vídeos caseiros no YouTube, com histórias que imaginava e imediatamente encenava na frente de uma câmera. De uma hora para outra, começou a ter centenas de visitantes, fãs até, que não perdiam um vídeo seu. O YouTube ligou, Joe largou a faculdade de Medicina em Massachusetts e foi para Los Angeles fazer vídeos profissionalmente.

"Preciso "subir" dois por semana. Nas segundas e quartas de manhã, penso o que vou fazer e gravo. Às terças e quintas, coloco no ar", conta Joe, que chega a passar 12 horas editando os vídeos que grava do seu quarto, com a câmera em um tripé. De uns tempos para cá, contratou um ajudante para o trabalho. A namorada - que também trabalha no YouTube - ajuda e aparece em alguns vídeos também.

Para a mostra do Guggenheim, concorre com o vídeo Guitar: Impossible, que levou dois dias para ficar pronto. "Deu mais trabalho porque foi algo que nunca tinha feito antes. Geralmente pego pedaços de músicas, mas essa quis fazer inteira." Para o trabalho, aprendeu a tocar no violão a ópera As Bodas do Fígaro, de Mozart, e fez uma edição à sua maneira, meio maluca e cheia de cortes. Sucesso comprovado pelas 9 milhões de visitas.

 

Passarinhos. Outro paulistano que concorre ao prêmio, Jarbas Agnelli, de 47 anos, foi parar no YouTube de um jeito também pouco usual. Há um ano, lendo os jornais do dia, deu de cara com uma foto de Paulo Pinto, fotógrafo do Grupo Estado, nas páginas do caderno Cidades/Metrópole, e teve uma epifania. A fotografia mostrava um bando de passarinhos pousando nos fios elétricos de um poste, cena até cotidiana. Agnelli imediatamente associou o que viu a uma partitura musical. Inspirado, transformou os passarinhos em notas e compôs Birds on the Wires.

A música e a foto foram parar no YouTube na madrugada seguinte. "Antes da seleção para o concurso, tinha cerca de 140 mil visualizações. Agora, passou das 300 mil", diz Agnelli, que não conhecia Paulo Pinto quando criou a melodia a partir da foto. "Dei um "Google" nele e entrei em contato para pedir a foto em alta resolução."

Os dois só se conheceram pessoalmente depois, nos corredores do Estado, quando o vídeo já era "viral".

O GUGGENHEIM POR DENTRO

O Guggenheim costuma chamar atenção não só pelas exibições de arte, mas pela arquitetura arrojada dos prédios que abrigam seus museus. Era a ideia do filantropo Solomon Robert Guggenheim quando encomendou ao arquiteto Frank Lloyd Wright um desenho que refletisse o espírito inovador da arte contemporânea. Em 1959, nasceu o geométrico Guggenheim Nova York (foto), que inspiraria as faraônicas filiais de Bilbao e Abu Dabi, essas de autoria de Frank Gehry. Há mais de uma década estuda-se a construção de um Guggenheim brasileiro, mas nada saiu do papel.

VEJA OS VÍDEOS

Joe Penna

youtube.com/user/MysteryGuitarMan

Jarbas Agnelli

youtube.com/user/misterbaxt3r

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