Brasileiros ameaçam argentinos na Vila Madalena

Torcedores tentaram intimidar estrangeiros com empurrões e gritos de guerra; após goleada, todos os bares fecharam

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

08 Julho 2014 | 23h59

Foco de transtornos para moradores desde o começo da Copa do Mundo, a Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, também foi palco de brigas entre torcedores na noite desta terça-feira, 8. Após a derrota do Brasil, a maioria dos bares fechou e uma multidão de torcedores foi embora. Mas muitos jovens continuaram ocupando as ruas bloqueadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Ainda durante o intervalo, a Polícia Militar havia registrado brigas e ao menos uma bandeira do Brasil queimada na Rua Girassol. Mas o clima ficou ainda mais tenso após a chegada de grupos de torcedores argentinos, por volta das 21h30. Brasileiros cercavam os estrangeiros o tempo todo, tentando intimidá-los com empurrões e gritos de guerra.

Na esquina das Ruas Aspicuelta e Fidalga, por volta das 21h50, o Estado presenciou brasileiros roubando os bonés e cachecóis da Argentina de grupo de torcedores. 

Os brasileiros perseguiam os argentinos com cornetas e empurrões por todo o bairro. "Muito triste ver isso", afirmou o garçom argentino Diego Zambiazzi, de 25 anos, que mora na cidade de Mendoza. 

Outras brigas entre grupos de brasileiros também foram registradas na Rua Aspicuelta, com princípio de corre-corre e tumulto.

Atônitos. Como nos outros jogos, milhares de torcedores de todas as idades tomaram nesta terça as ruas da Vila Madalena desde o início da tarde. Eram 13 horas e as Ruas Aspicuelta e Wisard já estavam lotadas e fechadas para o trânsito. Mas a festa começou a acabar assim que saiu o terceiro gol alemão. Bares esvaziaram e boa parte dos torcedores foi embora antes do fim da partida.

Os sete gols alemães esfriaram os ânimos até de quem costumava ficar no bairro até a alta madrugada. "Estamos atônitos. O jeito é ir para casa e esfriar a cabeça", afirmou Geraldo Torres, engenheiro de 33 anos que planejava varar a madrugada na Vila Madalena. "Esses 7 a 1 vão ficar marcados para sempre no brasileiro."

"Precisamos mostrar que temos honra e somos ainda os pentacampeões do mundo", afirmou Renato Ferreira, de 28 anos. Até os grupos de adolescentes que ficaram no bairro pareciam pouco dispostos à azaração. "Olha o silêncio que está nesta rua agora", apontava a estudante Beatriz Grandine, de 21 anos.

Apesar de centenas de jovens continuarem ocupando as ruas do bairro horas após o jogo, nenhum bar permaneceu aberto na Vila Madalena.

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