Brasileira fica na China após visto vencer e acaba detida

Governo de Pequim anunciou em junho campanha de cem dias para 'limpar' o país de estrangeiros irregulares

Cláudia Trevisan, correspondente, Pequim, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2012 | 03h03

A brasileira Elisângela Ferreira da Silva, de 25 anos, foi detida em Xangai na sexta-feira por permanecer na China após o vencimento de seu visto de estudante. Ela cumprirá penalidade de dez dias por ter ignorado notificação de que estava em situação irregular e deveria deixar o país em prazo semelhante.

O diplomata Joel Sampaio, do Consulado do Brasil em Xangai, visitou Elisângela ontem e disse que ela estava em boas condições. A estudante dividia quarto em centro de detenção com duas filipinas.

Segundo Sampaio, a brasileira chegou a Xangai em setembro para estudar mandarim e permaneceu no país mesmo após o vencimento do seu visto, em julho. Autoridades a notificaram de que ela estava em situação irregular e deram prazo de dez dias para que deixasse o país - algo que a brasileira já planejava fazer. O problema é que Elisângela só viajou depois de vencido o período.

Quando chegou à imigração da cidade de Shenzhen, no sul da China, ela foi orientada a voltar a Xangai para regularizar sua situação. Na sexta-feira, acabou detida, após procurar o departamento responsável por vistos. Passados os dez dias, ela terá que deixar a China imediatamente.

O governo de Pequim anunciou em junho campanha de 100 dias para "limpar" o país de estrangeiros em situação irregular. Autoridades determinaram que todos andem com passaporte e policiais passaram a fazer fiscalizações de surpresa em bares e restaurantes.

Poucos dias antes do início da campanha, imprensa e microblogs chineses deram destaque a um vídeo que mostrava um jovem inglês supostamente tentando violentar uma chinesa em uma rua de Pequim. Surpreendido por um grupo de chineses, ele foi espancado até cair.

Logo depois do anúncio do aperto contra os ilegais, Yang Rui, um dos mais célebres âncoras da rede estatal CCTV, referiu-se de maneira depreciativa aos expatriados e defendeu a expulsão da "escória estrangeira".

Sampaio observou que o procedimento adotado em relação a Elisângela obedece às regras previstas para casos semelhantes e não destoa do tratamento dado a outros estrangeiros na mesma situação.

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