Brasil tem a menor taxa de desemprego desde 2001

Apesar de o crescimento da economia ter sido só de 0,9% no ano passado, houve criação de 1,4 milhão de vagas de trabalho

FERNANDO DANTAS , VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h06

Na esteira da criação de 1,4 milhão de vagas de trabalho, o desemprego bateu a mínima histórica desde 2001, reforçando o aparente paradoxo da economia brasileira. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2012, embora o crescimento da economia tenha sido de apenas 0,9% em 2012, o mercado de trabalho teve um ótimo desempenho.

Em dez anos, a taxa de desemprego da Pnad saiu do recorde de alta para o recorde de baixa. Em 2003, com 9,7%, o indicador atingiu o nível mais elevado. E, em 2012, com 6,1%, o mais reduzido. Houve um significativo avanço também em relação a 2011, quando a taxa ficou em 6,7%.

Um dos contrastes está na indústria. Apesar da queda da produção industrial de 2,7% no ano passado, o número de empregados no setor saltou de 12,4 milhões em 2011 para 13,2 milhões, um avanço de 5,8%. Assim, a proporção da força de trabalho empregada na indústria saltou de 13,5% para 14%.

A expansão do trabalho industrial com queda da produção sugere que pode ter havido recuo na produtividade. Os especialistas alertam, no entanto, que é preciso analisar os microdados da PNAD para ver em que segmentos da indústria a produtividade caiu. É preciso levar em conta também que a produtividade é um indicador que faz mais sentido no longo prazo.

Já o setor de serviços continuou avançando em termos de número de trabalhadores, saindo de 41,5 milhões em 2011 para 42,4 milhões em 2012, e também na sua fatia no total do mercado de trabalho, que foi de 44,9% para 45,2%. Um contingente de 909 mil pessoas engrossou a força de trabalho dos serviços em 2012.

Desde 2004, fica a nítida a tendência do Brasil de se tornar cada vez mais uma economia de serviços, setor que saltou de 40,9% para 45,2% da ocupação, e de ter cada vez menos pessoas trabalhando no campo, com um recuo de 20,4% para 14,2%.

A Pnad classifica separadamente dos serviços o setor de "comércio e reparação", que teve uma alta muito pequena, de 1,2%, no número de trabalhadores entre 2011, de 16,5 milhões para 16,7 milhões. A construção manteve a tendência de expansão, com alta de 5,6% no número de trabalhadores entre 2011 e 2012, de 7,8 milhões para 8,2 milhões. Com isso, foi de 8,4% para 8,7% da população ocupada.

Desequilíbrio. Essa evolução ilustra um dos grandes debates atuais sobre a economia brasileira. A ampliação e o aquecimento do setor de serviços são vistos por alguns analistas como consequência inevitável e natural da ascensão social da classe média popular, pois os serviços tendem a ter um aumento relativo na cesta de consumo à medida que a renda aumenta.

Já os mais críticos apontam para a possibilidade de um desequilíbrio do modelo de crescimento, que pressiona a inflação e afeta a competitividade da indústria. Entre 2000 e 2012, houve aumento de 2,8 milhões de pessoas ocupadas no comércio, um serviço de baixa produtividade, enquanto a alta do número de empregados no sistema financeiro, de alta produtividade, foi de apenas 140 mil.

Vale destacar, porém, que os números são de outras pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não da Pnad (cujo resultado para 2012 só está sendo divulgado agora).

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