Brasil tem 241 rotas de tráfico de pessoas, diz ONU

Dados apresentados ontem pela senadora Angela Portela mostram que 76 delas estão na Região Norte do País

ROSA COSTA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2012 | 02h04

Integrante da CPI do Tráfico de Pessoas, a senadora Angela Portela (PT-RR) apresentou ontem no plenário do Senado dados da Organização das Nações Unidas (ONU) que apontam existência de 241 rotas do tráfico no País, sendo 110 relacionadas ao tráfico interno e 131 ao tráfico internacional. A Região Norte, segundo a senadora, tem maior concentração de rotas (76), seguida de Nordeste (69), Sudeste (35), Centro-Oeste (33) e Sul (28).

Ela explicou que há no País um processo completo para efetivar o tráfico, com a prática de recrutamento, transferência, transporte, alojamento ou acolhimento de pessoas para exploração sexual, trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, de servidão ou de remoção de órgãos. "Para o êxito de tal prática, recorre-se a ameaças, ao uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridades perante situações de vulnerabilidade, entrega ou aceitação de pagamentos a exploradores."

A senadora informou que há relatos recolhidos de pessoas que não precisam manter-se anônimas, revelando que, no mercado do tráfico de seres humanos, "uma menina vale cerca de R$ 1,5 mil, para fins de exploração sexual, em Roraima". "Se for menor de 18 anos e sem experiência no mercado do sexo, a menina vale ainda mais." Disse ainda que as meninas traficadas, geralmente com idade entre 12 e 17 anos, são levadas para prostíbulos em Manaus ou para o Suriname. "A distância entre Boa Vista, nossa capital, e Georgetown (capital da Guiana) é menor do que a que nos separa de Manaus."

Angela defendeu uma lei específica para combater essa modalidade criminosa. "Devemos mostrar a esses criminosos que um país decente se faz com punição a todo tipo de crime, particularmente os crimes hediondos, como o tráfico de pessoas, sejam eles de crianças, adolescentes, mulheres. Não podemos mais continuar assistindo às denúncias se sucederem uma às outras sem que tenhamos de dar um basta a uma prática tão hedionda quanto o tráfico de pessoas."

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