Brasil não tem hotéis suficientes para a Copa

Pesquisa do IBGE mostra déficit nas principais capitais, mas governo federal afirma que questão será resolvida

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h05

O País ainda tenta mensurar sua capacidade de receber os visitantes esperados para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. As 27 capitais brasileiras têm condições de hospedar, juntas, 554.427 pessoas, levando em consideração os leitos duplos e individuais existentes hoje, segundo a Pesquisa de Serviços de Hospedagem 2011, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido do Ministério do Turismo.

No Rio, cidade que será a sede da Olimpíada, o número de leitos disponíveis é de 67.536. Mas só os Jogos de 2016 atrairão cerca de 200 mil pessoas, entre atletas, imprensa, voluntários e organizadores. O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos informou que o Rio se comprometeu, em contrato, a fornecer até o evento mais 48 mil quartos. Mas a cidade deve receber ainda 380 mil turistas estrangeiros, segundo o próprio ministério.

Mesmo que somadas as vagas em todas as capitais, o número seria suficiente apenas para atender os turistas estrangeiros que devem vir ao Brasil para a Copa do Mundo, estimados entre 500 mil e 600 mil. Quando contadas somente as vagas nas 12 capitais que serão sede das partidas de futebol, o total cai para 416.147. E há ainda a necessidade de abrigar turistas brasileiros.

"Há espaço para aumentar e melhorar a capacidade de hospedagem no País. Algumas capitais já estão tomando a iniciativa", apontou Wasmália Bivar, presidente do IBGE.

Outra dificuldade detectada no levantamento é que o País ainda tem poucos hotéis de padrão internacional, considerados de luxo ou muito confortáveis. De todos os estabelecimentos, apenas 14,5% foram considerados de luxo ou muito confortáveis. No Rio, a situação é melhor: 23,5% dos estabelecimentos atendem à classificação de luxo ou superior. Em São Paulo, que terá seis jogos da Copa de 2014, esse porcentual cai para 19,6%.

Outra dificuldade apontada pela pesquisa é a falta de preparo para hospedar idosos e portadores de necessidades especiais. Apenas 3.253 das 250.284 unidades nas capitais brasileiras têm adaptações para pessoas com alguma necessidade especial.

O ministro do Turismo, Gastão Vieira, afirmou que os dados do IBGE somados aos investimentos em curso permitem afirmar que não haverá problemas de hospedagem.

A Federação dos Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) reconhece que há gargalos na oferta de quartos em capitais e culpa a supervalorização dos terrenos como o maior entrave à expansão do setor. Mas, na avaliação de Julio Serson, vice-presidente da FOHB, as vagas existentes e as que serão criadas darão conta da demanda.

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