Brasil enviou 1,5 milhão de visitantes em 2011

País supera França e é o 4º da lista que mais mandou turistas para os EUA; brasileiros superam gastos de europeus em compras e alimentação

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2012 | 03h03

Os meses de espera para o agendamento e as filas quilométricas no dia da entrevista para tirar visto não foram empecilho para 1,5 milhão de brasileiros que visitaram os Estados Unidos no ano passado. Os números da associação americana US Travel colocam o Brasil em quarto lugar no ranking de países que mais mandam turistas para o país, acima da França.

Não bastasse lotar os parques temáticos e pontos turísticos, o brasileiro é o que mais gasta no país: uma média de U$ 5,5 mil por pessoa, quase R$ 10 mil. E nessa conta não estão incluídos hotel e passagem aérea.

"O brasileiro, quando viaja, impulsiona tudo o que existe de infraestrutura local. Almoça e janta fora, compra presente para família e amigos, para ele mesmo, aluga carro, anda de táxi, gasta com ingressos para shows", explica Luiz Moura, vice-presidente da US Travel. "É totalmente diferente do europeu, que tem o hábito de andar de transporte público, não compra presente para todo mundo nem dá tanta importância para o café da manhã ou almoço, por exemplo."

A Flórida é o Estado americano que mais recebe brasileiros - 50% das pessoas que embarcam daqui para lá vão para Miami e Orlando, nesta ordem. Depois vêm Nova York, Los Angeles e São Francisco. "Ultimamente, outros destinos entraram na moda entre os brasileiros, como Las Vegas. A procura também cresceu muito por New Orleans, Boston e Chicago", diz Moura.

Privilégios. O turista do Brasil é hoje um visitante "de honra" para os americanos. O perfil desses visitantes, em geral, é gente das classes A e B, com grande potencial de compra. No entanto, a classe C já começa a se destacar na procura por pacotes, principalmente na alta temporada.

"Os americanos hoje veem o brasileiro como um turista privilegiado. A questão da ilegalidade ficou no passado, mesmo porque, com o bom momento da economia brasileira, os ilegais estão voltando para o País", comenta Leonel Rossi Júnior, diretor de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav).

E tudo isso com o sistema para obtenção de vistos como é hoje: caro, demorado e incerto. Ontem, o agendamento para uma entrevista no consulado de São Paulo estava em um mês e meio - a data mais próxima disponível era 4 de abril.

No Recife, a espera era de 46 dias. Aprovado ou não, quem solicita o visto desembolsa entre US$ 140 e US$ 390, dependendo do tipo. Depois da entrevista, o documento ainda leva pelo menos mais sete dias para sair.

O desafio do Brasil, dizem especialistas, ainda é aumentar o número de postos de atendimento. O consulado em São Paulo atende 3 mil pessoas por dia - é o posto mais próximo para quem vem da Região Sul, mais Minas Gerais e interior de São Paulo. A média de aprovação é das mais altas do mundo: 95% dos vistos solicitados.

"A espera hoje para entrevistas chega a três meses nos períodos mais críticos. O ideal é diminuir para dez dias", afirma Alexandre Pedrosa, diretor da Infovistos, empresa que auxilia quem quer tirar visto para viajar.

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