Brasil é o quarto do mundo em roubo de obras culturais

Em roubos e furtos a museus brasileiros, 6 mil peças raras já desapareceram, muitas em ações toscas

20 de dezembro de 2007 | 12h53

O roubo das pinturas de Portinari e Picasso do Masp é apenas o mais recente ataque ao patrimônio cultural reunido em instituições brasileiras. Até setembro, o País só ficava atrás, no ranking internacional de países mais atingidos por esse tipo de crime, de EUA, França e Iraque.     EXCLUSIVO: assista ao vídeo com imagens do roubo   Lugares já saqueados à exaustão, como Grécia, Itália e Egito, despencaram no ranking, embora as peças roubadas desses países no passado tenham muito valor.   Em roubos e furtos a museus brasileiros, 6 mil peças raras desapareceram em ações toscas, por causa dos sistemas de segurança deficientes e da falta de  organização dos acervos.  Esse amadorismo abastecer um mercado globalizado.    O roubo de bens artísticos e do patrimônio histórico já é o terceiro delito mais rentável no mundo, depois do tráfico de armas e de drogas.  Movimentou US$ 4 bilhões em 2006, segundo a Interpol.    As estatísticas oficiais sobre sumiço de  obras de arte, porém, ainda são precárias.  Os únicos dados disponíveis são  os do Iphan e tratam de bens tombados, que não incluem peças surrupiadas de  coleções particulares.   Nos últimos dez anos, depois de um convênio com a Interpol e a Polícia  Federal, o Iphan catalogou 918 bens desaparecidos - entre roubo, furto e  sumiço inexplicável.   Foi só depois do roubo cinematográfico ao Museu da Chácara do Céu, no Rio, em pleno carnaval, no ano passado, que o  Iphan resolveu reforçar a segurança dos museus nacionais.    Esse furto aparece  entre os dez maiores do mundo no site do FBI americano - os ladrões levaram quadros de Dalí, Matisse, Monet e Picasso.   De acordo com a Interpol, as peças roubadas em todo o mundo geralmente são  enviadas a Bruxelas, Nova York ou revendidas em sites do Leste Europeu. Dali, seguem para antiquários-receptadores.    Nesse seleto circuito, os "colecionadores" são avisados assim que as peças chegam ao mercado.   Peças recuperadas   Em setembro, a Polícia Civil paulista recuperou, com dois colecionadores, 54 peças ou, 6,07% de um total de 889, furtadas do Museu do Ipiranga. O acervo levado pelos ladrões foi avaliado em R$ 566.827,13.   Os furtos só foram descobertos na primeira semana de agosto, mas já vinham ocorrendo há algum tempo. Das 54 peças recuperadas, 16 foram compradas em maio por um colecionador em uma feira da Praça Benedito  Calixto.  São cédulas de 5 mil a 200 mil réis.  Elas foram vendidas por um homem, por R$ 300,00.   As outras 38 peças foram recuperadas com um colecionador em uma loja da Rua  24 de Maio.  São cédulas de 500 a 100 mil réis, além de medalhas,  ações da Companhia Paulista Estrada de Ferro e bônus do Tesouro Nacional.  O comprador pagou R$ 4 mil.   Em outubro, policiais federais apreenderam, na livraria Le Bouquiniste, no centro do Rio, 385 livros que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional.    Todos  eles tinham o carimbo da instituição, segundo informou a Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico.

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