Brasil é o 4º país com mais prédios sustentáveis

São Paulo tem 28 dos 37 edifícios 'verdes' do País; ações vão de coleta de água de chuva até pequenas centrais hidrelétricas

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2011 | 03h04

Mesmo com sua paisagem cinzenta e repleta de concreto, São Paulo está cada vez mais verde. Bem, pelo menos os prédios estão. A cidade já tem atualmente 28 empreendimentos sustentáveis com certificações Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental, na sigla em inglês), concedidas pela Green Building Council Brasil há quatro anos a projetos ambientalmente corretos. Esse número pode crescer ainda mais nos próximos anos, já que ainda há outros 250 edifícios em processo de certificação pela entidade.

Para ganhar o título, o empreendimento precisa adotar conceitos de sustentabilidade, como reaproveitamento de energia, uso eficiente da água e utilização de materiais ecologicamente corretos na construção. Muitos prédios paulistanos, por exemplo, já investem até 10% de seu orçamento em ações inteligentes, como o uso de equipamentos economizadores de água, elevadores com um mecanismo que recupera a energia durante as frenagens, reciclagem de lixo, estacionamento com vagas preferenciais para veículos movidos a álcool e até o uso de energia elétrica proveniente de pequenas centrais hidrelétricas.

Com o crescente interesse nesse tipo de edifício, São Paulo está fazendo com que o País já ganhe de fato relevância no tema no cenário internacional. Atualmente, o mercado brasileiro já ocupa o quarto lugar no ranking de maior número de prédios verdes certificados. Com 37 edifícios nessa categoria e outros 367 em processo de certificação, o País fica atrás só dos Estados Unidos, Emirados Árabes e China.

Prêmio. Esses edifícios verdes já contam até com um prêmio só para eles. Na semana passada, a Green Building Council Brasil divulgou os vencedores da primeira edição de sua premiação voltado exclusivamente para as construções sustentáveis. O Eldorado Business Tower, prédio na zona sul paulistana projetado pelo escritório Aflalo & Gasperini, por exemplo, ganhou como "empreendimento sustentável". Ele já havia recebido a certificação Leed em 2006. Com diversas ações em sua construção - como o tratamento e aproveitamento das águas de condensação do ar-condicionado para o uso na irrigação de áreas verdes -, o prédio consegue hoje atingir 50% de economia de água e 30% de economia em energia.

A Green Building Council Brasil também premiou o arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) Siegbert Zanettini, responsável por 1,2 mil projetos feitos em mais de 5 milhões de metros quadrados. É seu, por exemplo, o desenho da Panamericana Escola de Arte e Design em São Paulo.

"O objetivo do prêmio é de fato divulgar ainda mais a importância dos edifícios sustentáveis, mostrar que é possível fazer construções preocupadas com o ambiente", diz Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Council Brasil. 

 

2 PERGUNTAS PARA...

Siegbert Zanettini, arquiteto e professor da FAU-USP

1. As empresas estão preocupadas em fazer prédios sustentáveis ou em abraçar a causa verde como marketing?

Existem grandes incorporadoras que estão erguendo prédios verdes para se destacar no mercado, mas o que elas querem mesmo é vender mais unidades para ter um lucro maior. Mas há também projetos corretos, preocupados realmente com o ecossistema.

2. São Paulo deveria investir mais em prédios assim?

Sim, a cidade precisa ter essa preocupação com ambientes mais saudáveis e maior integração entre as pessoas.

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