'Brasil é a bola da vez para chinês imigrante'

Líder da colônia diz que quem viaja à China faz propaganda das 'oportunidades' de SP

O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2012 | 03h03

O Brasil é visto como a "bola da vez" por chineses em busca de um novo país. A afirmação é da presidente da Associação Chinesa do Brasil, Heida Li. "Tem muita gente que mora aqui que está voltando à China para fazer negócios. Lá, conversam com a família, parentes, dizem que aqui tem oportunidade e criam muita expectativa."

A maioria que vem para o Brasil já tem emprego em vista em São Paulo, segundo integrantes da colônia entrevistados pelo Estado. A passagem, muitas vezes, é paga pelo empregador. Em outros casos, famílias pobres investem tudo o que têm para pagar coiotes, que entram com os imigrantes ilegalmente no País. No fim de julho, a Polícia Federal prendeu dois atravessadores chineses em Uruguaiana (RS). Eles tentavam cruzar a fronteira com 12 pessoas da mesma nacionalidade.

Os que acabam de chegar podem passar muito tempo trabalhando para pagar a dívida da viagem. Chineses dizem que casos de exploração são comuns, mas autoridades brasileiras raramente ficam sabendo do problema.

"Os chineses encaram uma situação inferior como um meio para melhorar", explica padre Thomas Xiao, responsável pela Missão Católica Chinesa na cidade. Aos domingos, ele reza missas em mandarim na Vila Olímpia, zona sul. Quem frequenta a igreja no bairro nobre geralmente já está estabelecido na cidade. "As pessoas aqui vêm de carro, é uma igreja aonde vêm mais os patrões", afirma o padre.

Cantonês. Já a maioria da comunidade é budista e não se arrisca a sair do centro da cidade. Na mesma região, a Liberdade é outro bairro que tem recebido a nova onda de imigração. Muitos vêm da província chinesa de Guangdong, onde se fala cantonês. "A maioria dos que estão chegando é do sul", diz Linda Cheng, de 36 anos, dona de um mercado na Liberdade.

Para os que falam mandarim e já estão no Brasil há mais tempo, a comunicação com quem fala cantonês é muito difícil. Recém-chegados procuram emprego no comércio justamente porque é possível trabalhar sem falar português. Entre os comerciantes mais antigos, é comum contratar funcionários brasileiros, o que acaba amenizando problemas de falta de comunicação.

Em 2011, o Brasil tinha 34.653 chineses regularizados, segundo o Ministério da Justiça. Em 2009, eram 28.526 - um aumento de 21,4%. O Estado perguntou à Embaixada da República Popular da China se há uma estimativa de chineses ilegais, mas não obteve resposta.

Especializado na regularização de imigrantes no País, o advogado Mario Gunzburger diz que é relativamente fácil. "Se a pessoa tiver um contrato de trabalho, realizamos o processo em 40 dias. No caso de casamento com brasileiro, demora cerca de nove meses." Já quando o imigrante entra ilegalmente no País, sem ter o passaporte carimbado, não há possibilidade de regularização sem anistia - o governo federal costuma realizar o procedimento a cada dez anos. / ARTUR RODRIGUES

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