Zecão Rennó
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Brasil e 124 países se unem para limpar praias

Em Itamambuca, litoral norte de São Paulo, famílias se prontificaram a recolher lixo da areia; data foi criada há 20 anos por ONG internacional

Valéria França, Especial para O Estado / Ubatuba

16 Setembro 2017 | 17h11

SÃO PAULO - Eram 9h30 da manhã deste sábado, 15, quando famílias inteiras se reuniram às margens da praia de Itamambuca, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Colocaram luvas descartáveis, pegaram sacos de lixo e, com muita disposição, se prontificaram a fazer uma boa faxina na areia.

Apesar de Itamambuca ser conhecida no litoral paulistano pelas frequentes ações de preservação do meio ambiente, na mesma hora, a cena se repetiu em quase toda costa do Brasil e de outros 124 países. Estima-se que 35 milhões de pessoas ao redor do mundo ajudaram desse modo a celebrar o Dia Mundial de Limpeza de Praia e Rios, criado há 20 anos pela ONG americana The Ocean Conservancy.

“O importante é trazer essas ações ambientais para a prática diária”, diz Sidney Silva, o Sidão, presidente da Associação Amigos de Itamambuca (SAI), que foi fundada em 1977 pelos primeiros moradores da região para impedir que o local virasse uma praia de camping.

Ao longo dos anos, a entidade incentiva a educação ambiental da população local. A SAI construiu uma sede, montou uma biblioteca e contratou funcionários – hoje são 40, entre a equipe de vigia e de limpeza –, assumindo a manutenção e a zeladoria do bairro, formado por mil lotes. Hoje, é o maior empregador privado do norte de Ubatuba.

Também estabeleceu uma série de parcerias com a prefeitura, que resultou, por exemplo, na preservação do jundu, uma vegetação arbustiva, de restinga, com raízes profundas, que segura a areia e o avanço da maré. Trata-se de um bioma de alto risco de extinção, pois geralmente dá lugar a avenidas pavimentadas, casas e prédios, como na Praia de Pitangueiras, no Guarujá. Em Itamambuca, é proibida a construção de casas à beira mar. Nenhum imóvel novo tem a planta aprovada pela prefeitura sem antes receber o aval também da SAI.

O resultado desse trabalho é visível. “Itamambuca hoje tem muito mais área verde do que na década de 1980. Enquanto aconteceu uma degeneração natural da mata em todo litoral, aqui houve o contrário”, diz o advogado Maurício Felberg, diretor jurídico da associação. Recentemente, ele fez uma foto aérea da praia, repetindo o mesmo ângulo de uma antiga, de 36 anos atrás, onde se via carros estacionados na areia, arquibancadas para campeonatos de surf e muito desmatamento. “A mata cresceu tanto, que, do alto, mal dá para ver as casas.” Nem parece a mesma praia. 

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