Brasil controlará hanseníase, afirma governo

O Brasil deve atingir este ano a meta de controlar a hanseníase como um problema de saúde pública, afirmou ontem a coordenadora do Programa Nacional de Eliminação da doença, Rosa Castália Soares.

Lígia Formenti / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2015 | 02h03

Em 2014, a meta registrada no País foi de 1,27 caso a cada 10 mil habitantes. Embora a estatística esteja próxima do compromisso assumido pelo País - menos de um caso a cada 10 mil habitantes -, especialistas dizem que a doença não pode ser considerada controlada. "Alguns Estados, como o Maranhão, ainda apresentam um número muito significativo de registros", disse o presidente da Associação Internacional de Hanseníase, o brasileiro Marcos Virmond. Segundo ele, levará ainda cerca de 50 anos para que o problema esteja totalmente controlado no Brasil.

Ele cita dois fatores para a dificuldade no controle da doença: a falta de capacitação de profissionais e problemas econômicos. "A hanseníase é uma doença ligada à pobreza. Basta lembrar que, na Europa, os casos foram controlados mesmo antes da existência de um tratamento", completou.

Caracterizada pelo aparecimento de manchas e falta de sensibilidade nas áreas afetadas, a hanseníase muitas vezes é confundida por profissionais de saúde com micoses ou, em casos mais avançados, com problemas reumáticos. "São poucos os dermatologistas que associam o sintoma à doença. Eles estão mais preocupados com botox."

Professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Cláudio Salgado teme que o alcance da meta de um caso a cada 10 mil habitantes desmobilize as ações de prevenção e controle da doença em regiões que ainda necessitam de investimento e melhoria no atendimento.

Rosa, no entanto, descarta o risco de desmobilização. "Houve uma melhoria significativa no atendimento, na capacidade de identificação de casos. Isso vai ser mantido", garantiu.

A coordenadora do Programa Nacional de Eliminação da doença lembra que o Brasil assumiu o controle de Doenças Tropicais Negligenciadas que ainda são endêmicas até 2020. "São sete no País. O controle é feito em bloco", completou.

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