Brasil combaterá produção de drogas na Bolívia

Acordo entre os dois países prevê ações conjuntas em território boliviano e o uso de veículo aéreo para mapear plantações e laboratórios de cocaína

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2011 | 00h00

Para enfrentar a tráfico de cocaína e de crack, o governo federal vai replicar na Bolívia o mesmo acordo com o Paraguai que permitiu reduzir drasticamente a oferta de maconha no território nacional. No caso boliviano, o alvo é a produção de folhas de coca em áreas ilegais e os laboratórios de refino e produção de pasta-base. Mais de 50% da cocaína e derivados consumidos no mercado brasileiro vem da Bolívia, segundo a Polícia Federal.

Além de operações conjuntas entre a Polícia Federal e as forças bolivianas, o governo brasileiro vai oferecer o compartilhamento de dados e imagens produzidos pelo veículo aéreo não tripulado (vant). O primeiro dos três modelos adquiridos de Israel encerrou a fase de testes e começa a operar a plena carga no final deste mês.

Controlado à distância por operadores em terra, o vant tem autonomia de 40 horas, gera imagens de alta qualidade transmitidas em tempo real e é considerado uma arma valiosa na guerra contra o tráfico de drogas na fronteira. Outros dois aparelhos chegam ainda este ano.

Com 20 técnicos treinados para operar o vant, incluindo pilotos e analistas de imagem, a primeira base operacional está em funcionamento na região de Foz do Iguaçu. No futuro, o acordo para combate compartilhado ao narcotráfico na fronteira vai se estender para Peru, Colômbia e Venezuela, até atingir os mais de 16 mil km de fronteira seca.

A negociação com países vizinhos para o combate à produção e consumo de drogas faz parte do pacto nacional contra o crime organizado e a violência, anunciado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. As bases do acordo de cooperação com o governo boliviano, porém, já haviam sido costuradas pelo ex-ministro Luiz Paulo Barreto em dezembro, que deixou assinados os primeiros atos. Cardozo programou visitar a Bolívia no começo de fevereiro para finalizar detalhes das operações conjuntas, que devem começar este ano.

O pacto envolve três frentes de negociação. A primeira, com os Estados. Cardozo começou esta semana pelo Rio de Janeiro e prossegue na próxima com São Paulo e Minas na próxima semana. Outra frente representa uma sintonia fina com o Ministério da Defesa e as Forças Armadas. A terceira frente é com os governos de países fronteiriços.

O Peru, outro grande produtor de coca e pasta-base, concordou em participar das negociações e permitiu que o vant sobrevoe pelo seu lado da fronteira, desde que a PF compartilhe imagens e informações.

A apreensão de drogas na fronteira seca aumentou consideravelmente mesmo antes da entrada em cena do vant, graças à Operação Sentinela, desencadeada em 10 de março de 2010 em caráter permanente.

No caso da maconha, conforme balanço divulgado ontem pela PF, foram apreendidas 154,3 toneladas no País, cerca de 16% a mais do que em 2009.

Mais de um terço das apreensões (57,1 toneladas) ocorreu no âmbito da Sentinela.

O aumento na apreensão parece pouco, mas foi um golpe duro para os narcotraficantes, que já vinham sofrendo perdas significativas com o programa de erradicação maciça de plantações, desencadeado primeiro no território brasileiro e depois mediante acordo com o governo paraguaio.

Só em 2009, foram erradicados mil hectares de plantações no lado paraguaio com a ajuda da PF, o que significou 2,3 mil toneladas da droga que deixaram de entrar no mercado brasileiro.

As apreensões de cocaína não param de crescer. Em 2010 foram apreendidas 27 toneladas.

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