EPITÁCIO PESSOA/ESTADÃO
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Botucatu tem trânsito mais violento, com 41 mortes por 100 mil habitantes

Dado consta do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes (Infosiga), que registra os casos nos 645 municípios do Estado de São Paulo

Fabio Leite e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

09 Agosto 2016 | 03h00

BOTUCATU - Nayara Gonçalves, de 19 anos, estava na garupa da moto pilotada pelo marido, em Botucatu, quando um carro cruzou o caminho do casal, no dia 20 de março. Duas semanas antes, um acidente sobre duas rodas já havia tirado a vida de Cesar Augusto de Arruda Roncari, de 20. No dia 24 de abril, foi o enterro de Flávia Chemberg, de 21, após o carro em que estava de carona com uma amiga capotar na saída da cidade.

Localizado a 240 km de São Paulo, o município onde moram quase 135 mil pessoas é o que tem o maior índice de mortalidade no trânsito no Estado, com uma taxa anual de 41,5 óbitos por 100 mil habitantes. O resultado consta de um levantamento feito pela reportagem no Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito de São Paulo (Infosiga) com as mortes registradas nas 75 cidades com mais de 100 mil habitantes desde 2015.

Logo atrás de Botucatu aparecem Barretos (29,5), Franco da Rocha (28,1) e Jacareí (27,2), todas com taxas de mortalidade no trânsito duas vezes maiores do que a média do Estado (13,7). Na cidade de São Paulo, a mais populosa do Estado, com 11,5 milhões de pessoas, o índice é de 8,2 mortes por 100 mil habitantes - é a 62.ª no ranking.

“É triste ver os pais arrasados, se despedindo dos filhos que foram vítimas de carros e motos na flor da idade”, lamenta Mário Nogueira, funcionário do cemitério Portal das Cruzes. O comerciante Guilherme Zerbinato, dono de uma revenda de veículos na Avenida Vital Brasil, relata ter visto muitos acidentes com vítimas. “Carros e motos passam em alta velocidade e muitos não respeitam os cruzamentos”, diz. Na semana passada, a vendedora Gislaine Riacho teve o carro atingido por uma van que não respeitou a preferencial na Rua Amando de Barros. “O carro deu perda total.”

O secretário municipal de Trânsito, Rodrigo Luiz Gomes Fumis, disse que a topografia urbana, com muitos aclives e declives, e o excesso de veículos contribuem para os acidentes. “Temos 94 mil veículos e as ruas do centro são estreitas, mas estamos investindo em educação.” Ele destaca ainda que as rodovias que cortam a área urbana, como a Marechal Rondon e a “Castelinho” inflam as estatísticas. A gestão informou também que reduziu a velocidade de 60 km/h para 50 km/h em duas das principais avenidas, contratou um radar móvel e está construindo 50 lombadas.

Queda. Divulgados mensalmente desde fevereiro pelo Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, iniciativa lançada há um ano pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) com apoio de empresas privadas, os dados do primeiro semestre deste ano mostram que Botucatu está na contramão do Estado. Enquanto em todo o território paulista o número de mortes no trânsito caiu 8% na comparação com o mesmo período de 2015 - a meta é reduzir em 50% até 2020 -, na cidade os registros saltaram 250%, de 8 para 28 óbitos.

Pelo Infosiga, o Estado registrou no primeiro semestre 233 mortes a menos no trânsito. As maiores reduções em cidades com mais de 100 mil habitantes foram em Várzea Paulista (-87,5%), Ourinhos (-83,3%) e Presidente Prudente (-71,9%). Com apenas uma morte em seis meses, Várzea registrou a menor taxa de mortalidade no trânsito no grupo de 75 municípios, com 1,7 morte por 100 mil habitantes, ao lado de Jandira. “Os números mostram que se trata de uma epidemia, um problema de saúde pública. As ações do Estado reduziram a mortalidade nas estradas mas, como 65% das mortes acontecem no perímetro urbano das cidades, o governo entendeu que não dava para tratar o problema de forma exclusiva, que era preciso integrar os municípios e a iniciativa privada”, disse Silvia Lisboa, coordenadora do Movimento.

Dos 463 mortos no trânsito paulista em junho, 80% eram homens, 27% das vítimas tinham entre 18 e 29 anos e 67% das ocorrências foram provocadas por colisões e atropelamentos. Segundo Silvia, a mortalidade no trânsito do Estado é a segunda menor do País, atrás apenas do Amazonas. 

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