Nilton Fukuda/Estadão<br>
Nilton Fukuda/Estadão

Borborema põe ‘luto’ nas portas e lota velório coletivo

Ao menos 5 mil pessoas, em cidade com 15 mil, foram a ginásio; prefeitura fecha por 3 dias e lojas encerram expediente ao meio-dia

Felipe Resk, Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2014 | 21h28

A pequena cidade de Borborema, na região de Araraquara, entrou em comoção após o acidente que matou estudantes e funcionários da Escola Estadual Gastão Liberal Pinto. Com três dias de luto decretado pela prefeitura, o comércio fechou as portas ao meio-dia. Nas fachadas, só cartazes com a palavra “luto”. Os prédios públicos também interromperam as atividades e colocaram cartazes.

Na maioria das ruas não se via nenhuma movimentação – a concentração ficou restrita a uma via: a Rua Luiz de Martins, na Vila Cristina, onde fica o Ginásio Municipal, local do velório. Ao menos 5 mil pessoas estiveram ali para prestar solidariedade às famílias das vítimas – ou seja, um em cada três habitantes, considerando as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“É a maior tragédia (da história) de Borborema”, afirmou o prefeito Virgilinho Amaral (PSDB). “A cidade está parada. Aqui todo mundo se conhece. É difícil ver um ente querido nessa situação”, disse. O prefeito afirmou conhecer a maior parte das vítimas da tragédia.

Apenas um dos corpos das vítimas foi levado para ser enterrado em Itápolis. Os demais seguiram para o velório coletivo, que teve início às 17 horas, em um ginásio completamente lotado. À entrada do primeiro caixão, houve muitos aplausos. E o ritual se repetia a cada corpo que entrava pelas porta dos fundos do centro municipal. 

Com o local lotado, o calor intenso e a emoção, ao menos quatro pessoas passaram mal e precisaram ser socorridas por bombeiros e pelo pessoal de apoio convocado pela prefeitura. Médicos, enfermeiros e assistentes sociais prestavam apoio às famílias.

Por todos os lados, se viam pessoas em longos abraços e choros incontidos. Muitos vestiam o uniforme do colégio ou de times da cidade em que os mortos jogavam. “Eram amigos, irmãos do peito. Tudo foi de repente, agora é pedir para que Deus ilumine a alma deles”, disse Júnior de Oliveira, de 18 anos, ex-aluno do colégio, que trazia entrelaçado nos dedos um terço.

Bastante emocionada, Isabel Cristina, de 47 anos, não conseguia conter o choro. Ela é tia de Margarete dos Santos, de 34, a professora que morreu na rodovia. “Foi uma pessoa maravilhosa, dedicava sua vida ao trabalho”, relatou. 

A professora deixou três filhos. Dois deles estavam no ônibus acidentado. Uma adolescente de 15 anos, que quebrou o braço, e um jovem de 17, que continuava ontem internado na UTI da Santa Casa local, em estado grave, segundo informaram parentes.

O velório também atraiu curiosos e desconhecidos, sensibilizados. “A gente tem filho pequeno, imagina a dor da família”, afirmou Ivan Pavão, de 39 anos, motorista de caminhão. “Nossa profissão (motorista) é assim, difícil, a gente está sujeito a acidentes.”

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