Borá é a única cidade paulista sem nenhum crime há 18 meses

Mas prefeito já se preocupa: a ocorrência de um único furto pode multiplicar as taxas de criminalidade

Bruno Paes Manso e William Cardoso, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2011 | 00h00

Nem tenente, nem sargento. Quem atende a reportagem para explicar sobre a estratégia de segurança em Borá, menor município brasileiro, com 834 habitantes, é o cabo Valdinei Carlos Nogueira, de 45 anos, que comanda um aguerrido efetivo de mais três soldados. "Se preferir, pode dizer que sou o xerife", brinca o bem-humorado policial.

O quarteto fantástico é responsável por garantir, há um ano e meio, a paz na cidade do interior paulista. Desde janeiro do ano passado, Borá é a única cidade do Estado a não registrar nenhum crime. "Em junho, houve uma tentativa de furto num centro comunitário. Mas um vizinho ligou ao ver os moleques no telhado e o furto foi evitado."

Na cidade há 17 anos, a maior força de Valdinei e sua tropa é conhecer todos os boraenses pelo nome. "Se chega alguém diferentão, a gente fica de olho."

Apesar da calmaria, o xerife mantém um patrulhamento que segue os moldes de metrópoles. As rondas são frequentes e os policiais são acessíveis 24 horas por dia. As intervenções mais comuns são brigas de casal e pequenos acidentes. "Caminhão de usina que dá marcha à ré e estraga outro carro, essas coisas."

Preocupação. A baixa criminalidade é motivo de orgulho, mas não afasta a preocupação do prefeito Luiz do Açougue com relação à segurança local. "Se acontecer um crime só, porcentualmente vai crescer muito."

Luiz Carlos Rodrigues mora na cidade desde que nasceu, há 40 anos. Já foi açougueiro (daí o apelido) e motorista de uma usina. Ele diz que os 834 moradores do município se conhecem pessoalmente e isso inibe o crime. "Acredito que por ser uma cidade pequena é mais fácil oferecer segurança. Se chega uma família estranha por aqui, todo mundo nota. Mas dá uma semana e todos já sabem quem é."

O único homicídio ocorrido em Borá do qual Rodrigues se recorda aconteceu em 2004. Não foi durante um assalto à única agência bancária da cidade ou algum roubo violento. "Foi uma rixa entre famílias. Aconteceu por problemas conjugais."

Segundo o prefeito, a cidade não tem casas noturnas, mas há outras opções de entretenimento para moradores. "Tem bar, mercado, um centro recreativo onde o pessoal joga cartas e bocha. Agora, discoteca não tem, não."

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