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Bope ocupa Turano; 2 morrem em confronto

Um policial foi baleado na barriga, mas não corre risco de morte; criminosos dominaram funcionários da TV Brasil para roubar veículo

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

Um cabo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) ficou ferido e dois supostos criminosos morreram ontem na operação para a instalar a 12.ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no complexo de favelas do Turano, zona norte do Rio. O cabo Robson Albuquerque foi baleado na barriga e não corre risco. Ele foi atingido por traficantes escondidos nas matas.

Durante a tarde, os criminosos tentavam fugir do morro ocupado por cerca de 260 policiais militares do Bope e outros quatro batalhões. No início da operação, por volta das 5 horas, os agentes trocaram tiros com traficantes do Morro do Estácio, vizinho do Turano. Em fuga, traficantes do Turano dominaram uma equipe de técnicos e levaram um carro da TV Brasil, na Estrada do Sumaré, próximo do morro. A equipe da emissora estava no local para fazer manutenção em uma das torres de transmissão. Ao escapar, os bandidos deixaram para trás uma escopeta calibre 12. O motorista e dois técnicos da emissora foram resgatados por policiais do Bope.

O veículo foi encontrado na Rua Alice, em Laranjeiras (zona sul), nas proximidades do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. A favela foi usada como refúgio para os traficantes, segundo a polícia.

Bala perdida. O Turano ficou conhecido pelos casos de bala perdida envolvendo alunos da Universidade Estácio de Sá, cujos fundos ficam na frente do morro. Em 2002, o filho do cantor Neguinho da Beija-Flor, o estudante de Odontologia Luiz Antônio Marcondes Júnior, foi ferido nas costas por uma bala perdida durante um tiroteio entre policiais e ladrões de carros. No ano seguinte, a estudante de Enfermagem Luciana Gonçalves de Novaes, de 19 anos, foi ferida por uma bala perdida e ficou tetraplégica.

"Aqui é uma área geograficamente mais difícil e exigirá mais tempo de ocupação", disse o comandante do Bope, coronel Paulo Henrique Moraes. No Turano, os policiais encontraram várias pichações do Comando Vermelho, a facção criminosa que dominava a favela, e do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em uma delas, o desenho de um palhaço armado com uma metralhadora e uma bomba era acompanhado pela legenda "a alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo". Em nota, a PM informou que a ocupação beneficiará 18 mil pessoas.

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