Marcelo Carnaval / AGENCIA O GLOBO
Marcelo Carnaval / AGENCIA O GLOBO

Bope invade quartel e prende 439 bombeiros

Manifestantes ocuparam local na véspera; 5 crianças se feriram e mulher sofreu aborto

Alfredo Junqueira e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2011 | 00h00

O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar invadiu ontem, por volta das 6 horas, o Quartel-Geral dos Bombeiros, no Centro do Rio, para reprimir o protesto de mil bombeiros que ocupavam, desde a noite anterior, a unidade. Com o uso de explosivos, os homens do Bope botaram abaixo o portão dos fundos do quartel e entraram detonando bombas de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral. Houve muito tumulto e rajadas de tiros.

Os bombeiros tomaram o quartel-general da corporação para reivindicar aumentos salariais de 100% e melhorias nas condições de trabalho. De acordo com a PM, foram presos 439 e o grupo decidiu entrar em greve de fome depois que foi levado para o Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica. De acordo com o governador Sérgio Cabral (PMDB), todos vão responder a processos criminais e administrativos. Segundo a PM, eles serão autuados por motim, dano em viatura, dano às instalações e por dificultar e impedir saída de viaturas ou veículos para socorro e salvamento.

É possível ainda que sejam demitidos da corporação."Foi uma atitude irresponsável, intolerável e abominável", disse o governador Cabral, que anunciou a demissão do comandante-geral da corporação, coronel-bombeiro Pedro Marco Cruz Machado. Em seu lugar, será nomeado o coronel Sérgio Simões.

Aborto. Mulheres e crianças que acompanhavam a manifestação ficaram feridas depois da invasão. Pelo menos cinco meninos ficaram atordoados com as bombas. Cléa Borges Menegueli, de 27 anos, casada com um salva-vidas de Rio das Ostras, estava grávida e sofreu um aborto.

Apesar de haver bombeiros armados no local, os manifestantes não resistiram à PM. Deputados estaduais afirmaram que a ação da PM foi truculenta e exagerada. "O Bope invadiu por trás, jogando bombas de gás e disparando balas de verdade. Tem carros dos bombeiros lá dentro arrebentados a balas", disse Janira Rocha (PSOL), que permaneceu ao lado dos manifestantes durante a madrugada. "Se os bombeiros não estivessem em movimento pacífico e ordeiro poderia ter ocorrido uma tragédia", afirmou a parlamentar.

Inicialmente, os bombeiros presos foram levados para a sede do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Um grupo de manifestantes que não foi detido se reuniu do lado de fora do quartel e voltou a protestar. Houve tensão e a cavalaria da PM tentou isolar a nova manifestação. O grupo, que reunia cerca de 100 pessoas, gritava palavra de ordens contra o governador, o então comandante-geral da corporação e a polícia. Eles também cantaram o Hino Nacional e o dos bombeiros.

Cabral se reuniu com a cúpula da segurança pela manhã e à tarde veio a público, defender a ação. "Foi equilibrada, estrategicamente estabelecida, para que, graças a Deus, não houvesse nenhuma vítima fatal", afirmou. "Os bombeiros foram longe demais, passaram dos limites do aceitável." /COLABORARAM IRANY TEREZA E ALESSANDRA SARAIVA

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