Bombeiros vão fazer ''bico oficial'' para o Samu

A ideia da nova parceria entre Prefeitura e Estado é reforçar o atendimento de emergência na capital com motos e ambulâncias

Luísa Alcalde / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2010 | 00h00

A partir de janeiro, nos horários de folga da Polícia Militar, os primeiros 87 bombeiros socorristas que hoje atuam no Resgate da corporação vão pilotar motolâncias e ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e prestar os primeiros atendimentos às vítimas de traumas e acidentes na capital.

A ideia vinha sendo estudada havia meses. Na quinta-feira, o governador Alberto Goldman (PSDB) assinou o convênio que permitirá a interação no socorro entre a Secretaria Estadual da Segurança Pública e a Secretaria Municipal de Saúde.

"Queremos dar maior agilidade ao atendimento e evitar que o Resgate, responsável pelos atendimentos de traumas, como quando alguém cai da escada, siga para uma ocorrência que, na verdade, é um caso clínico e deveria ser atendida pelo Samu, como um doente crônico que passa mal em casa, por exemplo", explica o chefe do Estado-Maior do Comando dos Bombeiros Metropolitano, tenente-coronel Edson de Oliveira Silva.

Operação Delegada. Trata-se de mais uma parceria entre Prefeitura e Estado, que estenderá também ao Corpo de Bombeiros a Operação Delegada - na qual policiais militares recebem para fazer bico oficial quando não estão a trabalho na corporação.

Em vigor há um ano, esse acordo começou pelo combate ao comércio irregular de mercadoria falsificada e pirateada por ambulantes sem licença para vendê-las (veja abaixo).

Segundo Silva, as bases do Corpo de Bombeiros terão acesso ao sistema de rádio do Samu e vice-versa. Mas cada um continuará atendendo a população por meio do seu próprio número de emergências: 193 para os bombeiros, 192 para o Samu.

Otimização. O objetivo é não mandar duas equipes para o mesmo endereço. A medida também vai evitar, por exemplo, que carros do Resgate, dotados de equipamentos que permitem fazer até cirurgias, sigam para ocorrências em que não há necessidade de toda essa aparelhagem.

"Cada comando das centrais de operação vai direcionar o caso dependendo do tipo de chamada", afirma Silva.

Hoje já há ambulâncias do Samu em 34 postos dos bombeiros. A tendência, na segunda fase do convênio, é aumentar esse número. "Isso vai facilitar ainda mais o acesso aos locais de ocorrência e facilitar a interação da triagem nos chamados", diz o tenente-coronel.

Com os bombeiros, vai funcionar nos mesmos moldes dos policiais militares, segundo o oficial. "Vai trabalhar no Samu na folga quem quiser. É opcional."

O atendimento de emergência realizado com motos é feito em dupla, possibilitando a imobilização, retirada de capacetes no caso de motociclistas serem vítimas e colocação do colar cervical, por exemplo.

Outras vantagens segundo especialistas é que, em motos, além de os bombeiros chegarem mais rápido ao local do acidente, conseguem avaliar melhor a cena, identificando o número de vítimas e a gravidade do acidente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.