Bombeiros trabalham no rescaldo de incêndio em favela de SP

Fogo começou na madrugada desta quinta-feira,14; Favela Rocinha é a 2ª maior do Complexo Alba, na zona sul

Daniela do Canto e Ricardo Valota, do estadao.com.br,

14 Janeiro 2010 | 07h32

Dezesseis equipes do Corpo de Bombeiros ainda trabalham no rescaldo de um incêndio que atingiu a Favela da Rocinha na madrugada desta quinta-feira, 14, localizada na zona sul de São Paulo, entre os bairros do Jabaquara e Aeroporto. Os bombeiros ainda não têm um levantamento do número de barracos atingidos, mas estimam em 500 metros quadrados a área destruída pelo fogo. Não há notícias de feridos graves e as causas das chamas ainda são desconhecidas.

 

O fogo causou corre-corre. O catador de lixo Cícero Galdino Matias, de 30 anos, teve tempo apenas de pegar uma pochete cheia de documentos antes que o fogo destruísse o barraco onde ele morava com a esposa, a dona de casa Maria Madalena Soares, de 31 anos, e nove crianças, com idades entre 1 e 15 anos. "Como os meus documentos ficam na minha carteira, não deu tempo de pegar. Mas o de todo mundo está aqui", disse Matias.

 

Ele relatou ter sido acordado pelo barulho da queda de barracos próximos e de vizinhos gritando. O catador definiu como um milagre a sobrevivência de toda a família, sem nenhum tipo de ferimento. "O telhado do barraco de cima caiu, pegando fogo, em cima do meu. Foram as paredes de alvenaria que deram uma segurada e não deixaram ele esmagar ninguém, senão seria uma tragédia maior".

 

Fogo foi controlado pelos bombeiros por volta das 3h30; as causas do incêndio ainda são desconhecidas

 

Esta foi a segunda vez que a família foi vítima de um incêndio. Há alguns anos, eles perderam tudo quando o barraco foi destruído pelo fogo. Na época, Maria Madalena estava grávida da filha de 6 anos. A família acabou reconstruindo o lar no mesmo lugar. "Daquela vez nós não recebemos ajuda de ninguém. Agora, também não sabemos para onde vamos", confessou a dona de casa. "Talvez a gente reconstrua aqui. A gente não vai ficar na rua, né", completou ele.

 

Muitas famílias que não tiveram suas casas atingidas pelo fogo resolveram deixar o local por precaução. Foi esse o caso do pedreiro Wilson José de Souza, de 39 anos, da esposa e dos quatro filhos. "Até agora minha casa está livre. Mas alguns anos atrás perdi quase tudo em um incêndio. Só consegui salvar a TV e o botijão de gás", relatou.

 

Uma mulher, grávida de 6 meses, feriu um dos pés ao cair no momento em que corria para saber se todos os parentes haviam conseguido escapar. Ela foi encaminhada para o hospital por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

 

No início do incêndio, por volta das 2h desta quinta-feira, 17 viaturas dos bombeiros foram enviadas ao local. A favela Rocinha está localizada no Complexo Alba, formado por 14 favelas. Ela é a segunda maior comunidade, atrás apenas da Favela Alba.

 

Outros casos

 

Um incêndio na mesma área deixou 800 pessoas desabrigadas na madrugada do dia 21 de novembro de 2008. Em 19 de dezembro de 2009, cerca de 90 barracos foram destruídos na Favela Beira-Rio, outra que compõe o complexo de favelas. Naquele dia, participaram do combate ao fogo 73 homens em 23 veículos. Um curto-circuito teria sido a causa do incêndio segundo moradores.

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