Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Bombeiros são presos de novo por protesto no Rio

Comando diz que capitão e cabo, que já haviam sido detidos em junho, não seguiram ordem de sair do Palácio Guanabara

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2011 | 00h00

Dois bombeiros que lideraram a invasão do quartel central da corporação no Rio, no dia 3 de junho, voltaram a ser presos. O capitão Alexandre Marchesini e o cabo Benevenuto Daciolo participavam de um protesto por melhores salários na frente do Palácio Guanabara, sede do governo do Estado, na madrugada de ontem, quando receberam voz de prisão por desobediência.

Segundo o comando do Corpo de Bombeiros, eles se recusaram a deixar o local "após diversas solicitações". Os militares foram levados para o Grupamento Especial Prisional, onde aguardam decisão do Tribunal de Justiça. Se condenados, eles podem ficar detidos por até dois anos, segundo o Código de Processo Penal Militar.

Os manifestantes negam que tenham desobedecido às ordens. Segundo os líderes do movimento, o protesto começou a ser desfeito depois de um pedido do coronel Ronaldo Jorge Alcântara, subcomandante do Corpo de Bombeiros. Marchesini e Daciolo teriam sido autorizados a ficar no local. Eles permaneceram sentados na frente do Palácio, ao lado de outras 15 pessoas, e por isso teriam sido presos.

Para a deputada estadual Janira Rocha (PSOL), que acompanha as manifestações e apoia as reivindicações dos bombeiros, houve excesso do comando da corporação. "Os manifestantes estavam em dia de folga e começaram a desmobilizar as pessoas depois que receberam as ordens. Até mesmo a hierarquia estava sendo respeitada, pois todos batiam continência para os oficiais que chegavam ao local."

O defensor público Luis Felipe Drummond, que representa os bombeiros, vai aguardar a decisão da Auditoria Militar, mas adiantou que pretende pedir a liberdade provisória de Marchesini e Daciolo. "Não vejo como a prisão pode se sustentar."

Durante a tarde, o cabo Daciolo sentiu fortes dores nas costas decorrentes de uma crise renal e foi levado do Grupamento Especial Prisional para o hospital do Corpo de Bombeiros. Até as 22h, ele permanecia internado para passar por exames.

Mobilização. Os manifestantes convocaram bombeiros do interior do Estado para protestar. Eles ocuparam as escadarias da Assembleia Legislativa do Rio e fizeram uma passeata na Avenida Rio Branco, uma das mais movimentadas do centro da capital. Em junho, a prisão de mais de 400 pessoas durante um ato por melhores salários provocou uma crise entre o grupo de militares e o governador Sérgio Cabral (PMDB). Agora, os manifestantes prometem voltar às ruas em protesto.

A Secretaria de Estado da Defesa Civil informou que já deu uma gratificação no valor de R$ 350 por mês para os bombeiros e antecipou um reajuste de 5,58% previsto para os militares.

Acordo

CRISTIANE DACIOLO

MULHER DO CABO BENEVENUTO DACIOLO

"Houve um acordo verbal com o coronel para que o grupo saísse, mas os líderes poderiam permanecer ali (na frente do Palácio Guanabara). Era tudo pacífico. Mas, depois que os manifestantes saíram, eles receberam voz de prisão"

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