Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Bombeiros presos podem ter pena de até 10 anos

Detidos foram levados para Niterói; protestos continuam, mas não afetam o atendimento

Alessandra Saraiva e Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2011 | 00h00

Os 439 bombeiros presos durante a ocupação do quartel podem ser condenados a uma pena de 2 a 10 anos de prisão, de acordo com o Código Penal Militar. Todos foram autuados por motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar saída para socorro e salvamento.

Os presos estão na antiga sede da Academia dos Bombeiros, em Jurujuba, Niterói. Segundo a PM, não faltou comida e água para eles, como chegou a ser divulgado por manifestantes. A entrada de alguns quartéis da cidade está, desde sábado, guarnecida por PMs, o que é motivo de queixas da categoria, que tem recebido manifestações de apoio da população, como relatou um praça. "As pessoas passam aqui na porta e dizem "estou com vocês"", disse um soldado da corporação.

Pela internet, circula uma campanha de apoio, pedindo para que a população use camiseta vermelha ou pendure na janela de casa um tecido da mesma cor. Ontem, mais de mil manifestantes tomaram as escadarias da Assembleia Legislativa.

Alguns levantaram acampamento, com barracas, fogão, panelas e mesas. E mantiveram a campanha por melhores condições de trabalho (piso de R$ 2 mil e pagamento de vale-transporte), além da libertação dos presos. Foram o tempo todo observados por PMs da Cavalaria.

Marretas. O governador enviou ontem nota à imprensa voltando a atacar a postura dos bombeiros. "Esse grupo qualificou de "manifestação pacífica" a invasão, para a qual levou crianças junto a marretas, utilizadas em agressões", ressaltou. "Bombeiros que honram a sua farda jamais levariam crianças como escudos humanos inocentes a um ato contra a ordem pública como este (...) A imprudência dessas pessoas com seres inocentes, com a ordem pública, e com as suas próprias regras hierárquicas deve e está sendo punida."

Atendimento. Ontem os quartéis do Rio funcionaram normalmente, ainda que os participantes do protesto tivessem anunciado uma operação-padrão, com atendimento só em emergências. Os plantonistas passaram o dia buscando informações sobre os colegas detidos.

O Estado visitou os quartéis de bairros da zona norte (Tijuca, Vila Isabel e Grajaú) e da zona sul (Humaitá e Gávea, e ainda o posto de salvamento na orla do Leblon), e verificou que não havia operação-padrão. Os bombeiros, no entanto, estavam indignados com as declarações de Sérgio Cabral, que classificou os amotinados de "vândalos irresponsáveis." "Estamos trabalhando porque a população não tem nada com isso", disse um deles.

FRENTE A FRENTE

Sérgio Cabral

Governador

"Invasão, por si só, já é um confronto. Com marretas, é planejar uma possível batalha. Com crianças, é crime."

Bombeiro, que trabalhou normalmente ontem

"Nossos colegas estão em condições subumanas. É revoltante ser chamado de marginal"

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