Bombeiros e PMs grevistas deixarão Bangu

O governo do Estado do Rio vai pedir hoje à Justiça a transferência dos 12 bombeiros e 10 policiais militares presos na Penitenciária de Segurança Máxima de Bangu 1, na zona oeste da capital, para unidades prisionais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, onde devem continuar detidos preventivamente.

HELOISA ARUTH STURM, FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2012 | 03h02

A transferência era uma das reivindicações dos representantes dessas categorias, que anteontem decidiram encerrar a greve de quatro dias.

Bombeiros e PMs querem que os líderes grevistas sejam libertados. O Estado rejeitou essa exigência e justificou a transferência como "fim das ameaças à manutenção da ordem pública". A Defensoria Pública anunciou que iria pedir habeas corpus ao grupo, mas, até a noite de ontem, não havia informado se já havia apresentado pedido à Justiça.

Ontem, os 22 presos receberam pela primeira vez a visita de familiares. Todos estavam em celas individuais.

Um dos detidos é o cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, preso desde quarta-feira sob acusação de incitação à greve. "Ele emagreceu quase 10 quilos, está muito abatido e tomando soro diariamente", disse Neusa Daciolo dos Santos, mãe do bombeiro. Ele faz greve de fome.

Um dos sargentos presos sofre de claustrofobia e é medicado por causa de constantes ataques de pânico. "O lugar deles não é aqui. A cela é pequena e escura ", disse Andrea Vieira, mulher de um sargento.

Segundo familiares, todos os detidos estão recebendo apoio dos agentes penitenciários em Bangu, mas estão abalados pela forma como ocorreram as prisões. "São pessoas que estão brigando só por melhorias salariais e dignidade, e estão em um lugar altamente impróprio. Se tivessem de estar presos, deveria ser em suas próprias organizações militares", afirmou Alencar Daciolo dos Santos, irmão do cabo Benevenuto.

Vivian Oliveira, mulher de outro cabo preso, protestou contra a prisão em Bangu. "Eles não são bandidos. A gente só quer que eles saiam de lá."

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