Bombeiros do Rio são libertados sob aplausos

Cerca de 400 militares deixaram o quartel em Niterói onde estavam há uma semana

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2011 | 00h00

Livres após uma semana de prisão, os mais de 400 bombeiros detidos em uma manifestação por melhores salários desfilaram como heróis pelas ruas da Região Metropolitana do Rio. Depois de deixarem o quartel de Charitas, em Niterói, eles foram aplaudidos por moradores da cidade e ouviram as buzinas dos motoristas que passavam pela região.

Pela manhã, os militares embarcaram em oito ônibus fretados e seguiram de barca para a capital fluminense, onde fizeram manifestação diante da Assembleia Legislativa. À tarde foram libertados os últimos 14 bombeiros, que tinham pendências de documentos enviados pela corregedoria do Corpo de Bombeiros. Segundo os deputados estaduais Marcelo Freixo (PSOL) e Flávio Bolsonaro (PP), cinco prisões foram irregulares, sem emissão da nota de culpa necessária a prisões em flagrante.

Líderes do movimento avaliam que o episódio fortaleceu o grupo nas negociações com o governo do Estado. Eles ainda esperam reunir militares e simpatizantes em uma passeata marcada para as 10h de hoje na orla de Copacabana, na zona sul do Rio. "Agora estamos em posição melhor para negociar, porque temos a certeza de que a população está do nosso lado", disse o capitão Lauro Botto, um dos homens à frente do movimento, que pede a elevação do piso salarial de R$ 950 para R$ 2 mil.

O grupo pretende voltar ao trabalho na segunda-feira, mas alerta que só retomará as discussões sobre reajustes após ser dada anistia a todos os militares punidos nas esferas criminal e administrativa. "Nunca estivemos tão próximos do sucesso, mas vamos interromper as manifestações para lutar pela anistia", disse o cabo Benevenuto Dacciolo.

Anistia. Um projeto de lei na Câmara Federal pode garantir anistia criminal aos bombeiros, o que extinguiria processos na Justiça pela ocupação do quartel central, no dia 3. Na Assembleia Legislativa do Rio, uma Proposta de Emenda Constitucional tenta anistiá-los administrativamente, para evitar que sejam punidos ou expulsos da corporação.

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