Bombeiros do Rio ironizam aumento de 5,58%

Reajuste é uma tentativa do governo Sérgio Cabral de amenizar os protestos. Crise será gerenciada por nova secretaria

Pedro Dantas, Bruno Boghossian e Tiago Rogero, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2011 | 00h00

Em uma manobra para tentar amenizar o impacto dos protestos do Corpo de Bombeiros do Rio por melhores salários, o governador Sérgio Cabral (PMDB) anunciou aumento de 5,58% para os servidores da área e delegou o gerenciamento da crise à recém-criada Secretaria de Defesa Civil, que será conduzida pelo comandante-geral dos bombeiros, coronel Sérgio Simões.

Pressionado pelos manifestantes, que recebem nas ruas o apoio da população fluminense, o governo pretende dar sinais de que vai valorizar os servidores da corporação e de que a nova secretaria dará mais peso aos bombeiros nas negociações.

"O status de secretário me dá uma capacidade maior de interlocução com o governo", afirmou Simões. "O reajuste oferecido agora é uma demonstração clara do governo de que está disposto a negociar. É um primeiro movimento; vamos ver qual será a capacidade daqui para frente."

O aumento de 5,58% é antecipação do reajuste que seria feito em parcelas de menos de 1% ao mês até o fim do ano. Caso o piso salarial dos bombeiros fique em R$ 1.198,24, o aumento será de R$ 70,45. Também receberão o reajuste policiais militares, civis e agentes penitenciários.

Porta-voz dos 439 bombeiros presos, o cabo Laércio Soares ironizou o aumento. "Agradecemos a benevolência do nosso governador, mas está muito longe do nosso pleito. Além disto, mesmo que ele concedesse um salário-base de R$ 5 mil, a nossa luta continuaria, pois o foco agora é a liberdade e a anistia para nossos colegas presos." O novo secretário de Defesa Civil alegou que a libertação dos presos é uma das condições para a "volta à normalidade" do Corpo de Bombeiros.

Parentes reclamaram das acomodações em Niterói onde estão 416 dos presos. "Colocaram um banheiro químico, a água do banho é gelada e o rancho é servido a grupos de 20 homens. Aquilo é um barril de pólvora", disse a mulher de um cabo.

Representantes do Conselho Nacional de Segurança Pública se reuniram ontem com o corregedor dos bombeiros e os militares detidos em Niterói. O órgão enviará hoje nota ao Ministério da Justiça e ao governo do Estado. Para o conselheiro Tião Santos, o reajuste antecipado pelo governador não resolverá o impasse. "Enquanto os militares continuarem presos será difícil uma solução imediata."

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