Priscila Mengue
Priscila Mengue

Drone e câmera térmica são usados na busca de vítimas do desabamento em SP

Focos de incêndio chegam a ultrapassar os 150 graus; 367 bombeiros já participaram da ação desde terça-feira

Juliana Diógenes, Priscila Mengue e Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2018 | 11h48

SÃO PAULO - Drone, câmera térmica, sensor, cães farejadores e retroescavadeiras estão entre os recursos utilizados pelo Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo para resgatar possíveis vítimas do desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, atingido por um incêndio na madrugada de terça-feira, 1º, no Largo do Paiçandu, no centro da cidade de São Paulo. Ao todo, 367 bombeiros já participaram da ação.  Nesta quarta-feira, 2, os trabalhos ocorrem em duas frentes: remoção de escombros e contenção do fogo. 

Segundo o tenente Guilherme Derrite, a câmera térmica permite identificar os pontos em que o incêndio está mais intenso (o que pode ultrapassar os 150 graus Celsius). “A câmera nos aponta os locais de mais altas temperaturas, locais para onde os jatos de água são direcionados para que possam resfriar o local”, explica.

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O bombeiro afirma que, em um incêndio de grande proporção, é comum que o fogo demore para ser completamente apagado. "Os focos vão mudando, quando se retira um escombro aparece outro foco", conta.

Além disso, a câmera também permite identificar os ambientes de atuação. "Por meio de infravermelho, ela me fornece uma imagem no display reproduzindo exatamente o ambiente. Se tiver algum obstáculo, uma escada, porta, um buraco no chão, eu consigo enxergar, coisa que, a olho nu, não seria possível", explica o tenente André Elias.

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Os bombeiros também utilizam uma espécie de microcâmera instalada em um cabo e que é conectada a um telefone celular. O equipamento é utilizado para analisar ambientes muito restritos, por meio de buracos e frestas. Além disso, dentre os equipamentos, há sensores infravermelhos. "Ele faz uma marcação do prédio em relação a um ponto na terra. Se ele tiver alguma movimentação, esse sensor apita. Isso quer dizer que o prédio está em movimentação e pode desabar. E isso não aconteceu em nenhum momento", aponta o capitão Marcos Palumbo.

De acordo com Derrrite, uma das dificuldades é que o subsolo do edifício também era habitado, onde havia madeira, papel, tecidos e outros produtos inflamáveis. “É bem difícil para o Corpo de Bombeiros fazer a água chegar até esses locais", diz.

Pela manhã desta quarta-feira, 2, 66 bombeiros participaram dos trabalhos de remoção de escombros e combate às chamas.  Todos os profissionais fizeram o curso BREC (Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas), parte deles no Peru - país que é referência na área, de acordo com o tenente.

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Foco. O Corpo de Bombeiros  delimitou como área prioritária de atuação a zona na qual um homem, identificado como Ricardo, teria caído. "O quadrante um é a nossa prioridade porque, pelas imagens que nós temos, é onde tem a maior possibilidade de ter uma vítima", explica o capitão Leandro Dahora. 

Segundo Dahora, a partir do quadrante um, será ampliado o raio de busca e localização até encontrar as possíveis vítimas. "Nós estamos fazendo nesse momento da ocorrência uma busca superficial, nós só conseguimos trabalhar com maquinário pesado a partir de 48 horas  de ocorrência", explica. Por volta das 10 horas, retroescavadeiras começaram a ser utilizadas, mas apenas nas beiradas já vistoriadas pelos bombeiros, fora do quadrante um.

Após as 48 horas, a retroescavadeiras serão utilizadas para a retirada de estruturas maiores, como vigas. "O protocolo estabelece em até uma semana uma pessoa pode sobreviver desde que esteja em uma célula de sobrevivência, embaixo de uma grande viga, então uma semana se um tempo padrão que nós utilizamos em que se pode resgatar uma pessoa com vida", aponta o capitão. 

No quadrante um, próximo à igreja luterana, foram encontrados o cabo rompido e outros dois materiais utilizados no resgate de Ricardo. "Foi muito rápido como tudo aconteceu, em cinco segundos o prédio já havia colapsado", comenta.

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Segundo o capitão, existe a possibilidade de encontrar sobreviventes até com uma semana de atividade.  Dahora aponta que, além do desabamento, poderia haver vítimas que foram intoxicadas ou que subiram em vez de descer do prédio. "Porém conforme o tempo vai passando, vai diminuindo essa possibilidade. Infelizmente é uma luta contra o tempo."

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Os cães farejadores Hope (pastor belga) e Sara (labradora) também devem auxiliar nas ações assim que diminuir o calor nos escombros. "Ontem eles sinalizaram que havia a possibilidade de ter vítima nessa área (um). Porém, como ainda estava muito quente o local, sempre que eles iriam se aproximar, eles paravam e recuavam. Então, hoje com a área resfriada, teremos uma informação mais precisa", comenta o capitão Dahora.

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